OS 100 BILHÕES DA JUSTIÇA DO TRABALHO DE 2024

Por Marcos Alencar 14/03/25 marcos@dejure.com.br

Eu inicio este Post, perguntando se as empresas estão preparadas para enfrentar o ano de 2025 (que está começando), perante os iminentes riscos trabalhistas bilionários e previdenciários? Ao final do Post, estou transcrevendo a matéria que me motivou a escreve-lo, que foram os números (em bilhões de reais) da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul, que aponta um crescimento de quase 4% em relação ao ano de 2023.

A máxima “prevenir é melhor do que remediar” nunca esteve tão em voga. Observo que o “jogo é bruto” e que a insensibilidade das ações fiscais e dos julgados trabalhistas tornará pior as condenações, pelo simples fato da automação de procedimentos trazida pela IA e aperfeiçoamento de softwares, do e-social (que sempre me referi como o braço de ação do Governo dentro do departamento de pessoal, etc.

O Impacto Financeiro da Justiça do Trabalho no Brasil: Bilhões Movimentados e o Futuro da Fiscalização com IA

A recente divulgação dos números da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul revela um recorde histórico em valores pagos a trabalhadores, atingindo R$ 5,4 bilhões em 2024. Mas o que isso significa quando extrapolamos esse valor para o contexto nacional? E como a evolução tecnológica, especialmente o uso da Inteligência Artificial, pode ampliar ainda mais esse impacto em 2025?

1. Uma estimativa do impacto nacional

  • O Brasil conta com 24 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs).
  • Se cada TRT movimentasse um valor semelhante ao TRT-RS, o impacto nacional poderia chegar a R$ 129,6 bilhões (R$ 5,4 bilhões x 24).
  • Considerando variações entre estados, uma estimativa conservadora indicaria algo entre R$ 100 bilhões e R$ 130 bilhões apenas em 2024.
  • O impacto não se restringe aos pagamentos a trabalhadores. Apenas no RS, R$ 822 milhões foram arrecadados para os cofres públicos. Projetando esse percentual nacionalmente, estima-se que entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões tenham sido destinados à Previdência, Imposto de Renda e custas processuais.

2. O efeito dominó na economia e nas empresas

  • Os pagamentos realizados impactam diretamente a economia local e nacional, pois a maioria dos valores é destinada ao consumo imediato de bens e serviços.
  • Empresas que sofrem condenações têm impactos financeiros sérios, influenciando seu fluxo de caixa e capacidade de investimento.
  • Pequenas e médias empresas, sem estrutura para prevenir passivos trabalhistas, podem ser severamente afetadas e, em alguns casos, levadas à insolvência e encerramento das atividades.

3. O ano de 2025: a ascensão da IA na fiscalização e no julgamento

  • O uso de Inteligência Artificial nas decisões trabalhistas tende a acelerar significativamente o tempo de tramitação dos processos.
  • Ferramentas de IA já são utilizadas para analisar padrões de processos e identificar fraudes, reduzindo a possibilidade de argumentações artificiais que retardam os julgamentos.
  • O cruzamento de dados pela IA entre Justiça do Trabalho, Receita Federal, INSS e Ministério do Trabalho permitirá uma fiscalização muito mais rápida e precisa.
  • Com isso, é possível que o valor total de indenizações e execuções judiciais cresça em dezenas de bilhões, uma vez que mais empresas serão identificadas e responsabilizadas.

4. As empresas estão preparadas?

Diante desse cenário, surge uma reflexão essencial para as empresas:

  • Há investimentos adequados na prevenção de passivos trabalhistas?
  • As equipes internas estão capacitadas para enfrentar uma fiscalização mais rigorosa e automatizada?
  • Os advogados corporativos estão se antecipando aos novos métodos de análise trabalhista por IA?
  • O custo de uma gestão trabalhista proativa é menor do que arcar com condenações bilionárias?

Conclusão: a prevenção nunca foi tão essencial

O volume de recursos movimentados pela Justiça do Trabalho cresce ano a ano, e a entrada massiva da IA nesse processo indica que 2025 pode ser um marco para a agilização das cobranças e execuções. O questionamento que fica é: as empresas estão preparadas para esse novo cenário? O investimento em compliance e gestão trabalhista eficaz será suficiente para mitigar esses impactos? O futuro dirá, mas a prevenção nunca foi tão essencial como agora.

ESTE ARTIGO PODE SER DIVULGADO AMPLAMENTE, APENAS, DEVENDO SER MENCIONADA A FONTE

SEGUE A MATÉRIA QUE ME INSPIROU ESTE POST:

Pagamentos em ações trabalhistas chegam a R$ 5,4 bilhões e atingem o maior valor histórico no RS

A Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul assegurou, em 2024, o pagamento de R$ 5,4 bilhões a trabalhadores que obtiveram decisões judiciais favoráveis. Esse montante representa um aumento de 3,7% em relação ao ano anterior.

Além de pacificar conflitos no âmbito das relações de trabalho, as decisões reverteram R$ 822 milhões aos cofres públicos, entre contribuições previdenciárias, imposto de renda e custas judiciais.

Do total de processos solucionados no primeiro grau, 40% foram resolvidos por meio de acordo entre as partes, 33% tiveram procedência parcial, 13% foram julgados improcedentes e 5% foram totalmente procedentes. Os 9% restantes tiveram outras soluções, como arquivamento, extinção do processo ou desistência do autor.

O tempo médio para o julgamento de um processo foi de 325 dias no primeiro grau (40 dias a menos que em 2023) e de 160 dias na segunda instância (10 dias a menos que no ano anterior).

Demanda

Em 2024, a Justiça do Trabalho gaúcha recebeu, no primeiro grau, 133.234 novos processos, 7% a mais do que em 2023. No segundo grau, a movimentação processual teve um crescimento de 5% em relação ao ano anterior (81.602 processos).

Os pedidos mais frequentes nos processos ajuizados em 2024 foram horas extras, indenização por dano moral, adicional de insalubridade e verbas rescisórias.

 Produtividade

O primeiro grau da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul solucionou, no ano passado, 138.470 processos na fase de conhecimento, que vai do ajuizamento da ação até a sentença. O número é 6% inferior ao de 2023 e foi impactado pela enchente, período em que houve suspensão de audiências, desligamento preventivo do sistema de processo eletrônico e outras intercorrências. 

Na fase de execução, etapa final em que são calculados e pagos os direitos reconhecidos em juízo, foram baixados 106.799 processos, 11% a mais que no ano anterior. O segundo grau julgou 80.635 processos, produtividade 5% superior à de 2023.

Estoque

Em 31 de dezembro de 2024, a Justiça do Trabalho gaúcha tinha 350.790 processos em tramitação no primeiro grau. Eram 132.553 na fase de conhecimento, 53.335 em liquidação (para cálculo dos direitos reconhecidos em juízo) e 164.902 em fase de execução. Na segunda instância, 29.567 processos estavam pendentes de julgamento.

O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), desembargador Ricardo Martins Costa, destacou a importância dos números apresentados: “Os dados mostram a eficiência da Justiça do Trabalho gaúcha em solucionar conflitos, promover a conciliação e garantir direitos sociais. Seguiremos comprometidos em melhorar continuamente nossa atuação”. 

Martins Costa também lembra que os valores pagos aos credores trabalhistas na Justiça movimentam a economia do Estado, pois normalmente são utilizados para o consumo de produtos e serviços.

Confira os números detalhados:

Pagamentos totais:

  • R$ 5,4 bilhões pagos em 2024 (+3,65%)
    • R$ 1,5 bilhão em acordos entre as partes.
    • R$ 613 milhões pagos espontaneamente.
    • R$ 3,3 bilhões quitados em processos de execução.

Valores repassados aos cofres públicos:

  • R$ 822 milhões no total:
    • R$ 587 milhões em contribuições previdenciárias.
    • R$ 155 milhões em imposto de renda.
    • R$ 80 milhões em custas e emolumentos.

Processos solucionados (1º grau):

  • 40% resolvidos por acordo.
  • 33% com procedência parcial.
  • 13% improcedentes.
  • 5% com procedência total.
  • 9% outros encaminhamentos

Demandas recebidas:

  • 133.234 novos processos no 1º grau (+7%).
  • 81.602 novos processos no 2º grau (+5%).

Produtividade e tramitação:

  • Tempo médio para julgamento:
    • 325 dias no 1º grau (redução de 40 dias em relação a 2023).
    • 160 dias no 2º grau (redução de 10 dias em relação a 2023).
  • Processos em tramitação ao fim de 2024:
    • 350.790 no 1º grau (em diferentes fases).
    • 29.567 no 2º grau.
  • 138.470 baixados na fase de conhecimento (decisão sobre o mérito) (-6%)
  • 106.799 baixados na fase de execução (cobrança da dívida) (+ 11%)
  • 80.635 julgados no 2º grau (+5%)