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Segunda, 23 de maio de 2022

DELTAN CONDENADO A INDENIZAR LULA

Por Marcos Alencar 22/03/22 marcos@dejure.com.br

Hoje aconteceu algo que para muitos foi uma tremenda surpresa. Para mim (com coragem) afirmo que o STJ está correto. O que escrevo hoje, eu me posicionei na época. A saga de punir antes de apurar, de não permitir a ampla defesa, de não esperar o devido processo legal – gera esse tipo de situação, que é nulidade dos processos e a punição pela acusação sem provas.

Estou comentando esta notícia: ” A Quarta Turma do STJ determinou hoje (22) que Dallagnol indenize o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por dano moral devido à apresentação em PowerPoint que ligava o petista a diversas situações e pessoas. A decisão cabe recurso…. – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/03/22/apos-deltan-ser-condenado-equipe-de-lula-provoca-com-imagem-de-power-point.htm?cmpid=copiaecola” – FONTE UOL

Escrevi o post (artigo) o Ministério Público do Trabalho e a Santa Inquisição – link abaixo, – Ou seja, em 12/06/2009 (há 11 anos!) e eu comparava o Ministério Público do Trabalho com a Santa Inquisição.

LINK DO ARTIGO, CLIQUE AQUI

A crítica que reputo construtiva, é que o MPT não precisaria agir assim para atingir a sua missão. Porém, na prática, se atropelava a lei. Da mesma forma, eu vi toda a operação lava jato e fui a ínfima minoria a prever que os processos seriam anulados, diante da atrocidade de se prender antes de assegurar ao cidadão o direito de defesa. Recebi inúmeras críticas, bem severas.

Hoje está ai o trágico quadro, de um procurador sendo condenado a indenizar o ex-presidente Lula. Apesar de opinar como uma tragédia, eu vejo isso como justo, porque não se pode jogar a imagem e a reputação de uma pessoa no rol dos condenados, sem que antes ele se defenda. Na minha opinião, se o MPF e todos que participaram ativamente da lava jato, tivessem tido a paciência de cumprir com a lei, nenhum processo seria anulado e teríamos sim inúmeros condenados.

A partir do momento que uma autoridade se compara com um marginal e afronta a lei, dá razão ao marginal (que não tinha nenhuma razão) para que ele discuta o procedimento. Isso não é culpa do Poder Judiciário, mas de quem instruiu as provas e o processo. Estou aqui falando em tese ampla.

Hoje é um dia estranho para mim, porque fico feliz e triste ao mesmo tempo.

SEGUE A NOTÍCIA DO PORTAL DO STJ

DECISÃO
22/03/2022 19:12
STJ condena ex-procurador Dallagnol a indenizar Lula em R$ 75 mil por entrevista do PowerPoint
A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por maioria de votos, condenou nesta terça-feira (22) o ex-procurador da República Deltan Dallagnol ao pagamento de indenização por danos morais de R$ 75 mil ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em razão de entrevista coletiva concedida em 2016, no qual utilizou o programa de computador PowerPoint para explicar denúncia apresentada contra o líder do PT na Operação Lava Jato.

Para o colegiado, o ex-procurador extrapolou os limites de suas funções ao utilizar qualificações desabonadoras da honra e da imagem de Lula, além de empregar linguagem não técnica ao participar da entrevista. A turma levou em consideração, ainda, que Dallagnol imputou ao ex-presidente fatos que não constavam da denúncia explicada durante a coletiva.

Deltan Dallagnol participou da entrevista em setembro de 2016, para o esclarecimento da denúncia relativa ao caso do triplex do Guarujá. Na coletiva, o ex-procurador utilizou uma imagem criada no PowerPoint para apontar Lula como “maestro” e “comandante” do esquema criminoso investigado na Lava Jato.

De acordo com os advogados de Lula, Dallagnol feriu direitos de personalidade do ex-presidente em rede nacional de televisão, exercendo um juízo de culpa mesmo antes do início da
ação penal
A ação penal é o direito ou o poder-dever de provocar o Poder Judiciário para que decida o conflito nascido com a prática de conduta definida em lei como crime para aplicação do direito penal objetivo a caso concreto., além de trazer acusações que nem sequer faziam parte da denúncia. Ainda segundo eles, a entrevista coletiva foi replicada em diversos sites do Brasil e do exterior, ampliando a dimensão do dano à imagem do ex-presidente.

Agente público incorre em abuso de direito quando excede suas prerrogativas
Em primeiro e segundo graus, a ação – na qual se pedia a condenação de Dallagnol a pagar indenização de R$ 1 milhão – foi julgada improcedente. Para o Tribunal de Justiça de São Paulo, a atuação do ex-procurador ocorreu dentro de suas funções como membro do Ministério Público Federal, não havendo abuso em sua conduta.

O relator do
recurso especial
Recurso interposto em causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; ou der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. de Lula, ministro Luis Felipe Salomão, explicou inicialmente que, quando o agente público pratica ato com potencial para se tornar um ilícito civil, sua condição de agente de Estado perde relevância, ainda que a conduta tenha se dado com o uso da condição pública. Nesse caso, segundo o relator, responde à ação não o ente público, mas o próprio servidor.

Salomão também destacou que, de acordo com lições da doutrina, é configurado abuso de direito quando o agente, atuando dentro das prerrogativas que o ordenamento jurídico lhe confere, não observa a função social do direito subjetivo e, ao exercitá-lo, causa prejuízo a outra pessoa.

Fatos apontados na entrevista não faziam parte da denúncia
No caso dos autos, Salomão apontou que o ex-procurador da República, por meio do recurso do PowerPoint, utilizou palavras que se afastavam da nomenclatura típica do direito penal e processual penal, a exemplo de “petrolão”, “propinocracia” e “governabilidade corrompida” – todas direcionadas, na apresentação, ao ex-presidente Lula.

Além disso, o relator entendeu que Dallagnol incorreu em abuso de direito ao caracterizar Lula, durante as falas na entrevista coletiva, como “comandante máximo do esquema de corrupção” e “maestro da organização criminosa”, bem como ao anunciar fatos que não faziam parte do objeto da denúncia.

“É imprescindível, para a eficiente custódia dos direitos fundamentais, que a divulgação do oferecimento de denúncia criminal se faça de forma precisa, coerente e fundamentada. Assim como a peça acusatória deve ser o espelho das investigações nas quais se alicerça, sua divulgação deve ser o espelho de seu estrito teor, balizada pelos fatos que a acusação lhe imputou, sob pena de não apenas vilipendiarem-se direitos subjetivos, mas, também, e com igual gravidade, desacreditar o sistema jurídico”, apontou o ministro, ao concluir ter havido dano moral contra o ex-presidente.

Para definição do valor de indenização, Salomão utilizou o método bifásico de cálculo, fixando, com base em julgamentos de casos semelhantes, o valor-base de R$ 50 mil. Na segunda fase de cálculo, o relator levou em consideração circunstâncias como a gravidade do fato em si, a ofensa à figura de um ex-presidente da República e a dimensão da repercussão da entrevista. Como consequência, o magistrado estabeleceu o valor definitivo da indenização em R$ 75 mil.

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