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Segunda, 02 de agosto de 2021

EMPRESAS PRECISAM INVESTIR NA SAÚDE MENTAL DOS COLABORADORES.

Por Marcos Alencar 27-01-21 marcos@dejure.com.br

A pandemia descortinou um cenário que já existia. A saúde mental dos colaboradores já vinha bastante comprometida e por conta disso, transcrevo reportagem do jornal datada de outubro de 2019, ou seja, antes da pandemia.

O Brasil tem números alarmantes de indivíduos com depressão e transtornos de ansiedade, o que, nesta quinta-feira (10), Dia Mundial da Saúde Mental, acende um alerta, principalmente se for considerado que os casos de suicídio têm subido no País.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que 5,8% dos brasileiros (cerca de 12 milhões de pessoas) sofrem de depressão. É a maior taxa da América Latina e a segunda maior das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos.

Estima-se que entre 20% e 25% da população teve, tem ou terá depressão, sendo essa a doença psiquiátrica com maior prevalência no Brasil.

Em seguida, aparece a ansiedade, que afeta 9,3% dos brasileiros (cerca de 19,4 milhões), e faz com que o Brasil ocupe o primeiro lugar da lista de países mais ansiosos do mundo.

Os transtornos ansiosos incluem fobia, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático e ataque de pânico.

O suicídio é a terceira principal causa externa de mortes no Brasil (atrás de acidentes e agressões), com 12,5 mil casos em 2017, segundo o Ministério da Saúde. Em relação ao ano anterior, o aumento foi de 16,8%.

Menosprezar doenças psiquiátricas e, consequentemente, o tratamento contribui para o aumento de casos de suicídio, observa o médico psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Apal (Associação Psiquiátrica da América Latina) e diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria.

“Depressão é uma doença como qualquer outra, como diabetes, hipertensão, pneumonia… portanto, pode acometer qualquer pessoa em qualquer idade.”

Silva afirma que, apesar dos avanços da medicina e das terapias para tratar doenças psiquiátricas, “ainda existe muito preconceito”.

“Ninguém fala para uma pessoa com câncer deixar a doença de lado, mas há quem fale isso para quem sofre de depressão, o que é um erro”, completa.

O psiquiatra explica existem componentes genéticos ligados ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas, mas que também os fatores estressantes estão mais presentes na sociedade de hoje.

“Está se diagnosticando mais, e nós temos mais fatores que estão desencadeando mais quadros psiquiátricos naqueles que têm tendência genética.”

Por outro lado, acrescenta, os tratamentos evoluíram consideravelmente nas últimas décadas.

“Hoje, a gente tem não só medicamentos, mas psicoterapias que têm uma melhor resposta do que há 50 anos atrás. […] Quando faz uma intervenção precoce, há chance de tratar e nunca mais ter [a doença] na vida”, conclui Silva.

FIM DA TRANSCRIÇÃO – SEGUE O LINK DA NOTÍCIA “CLIQUE AQUI

Retomando, a primeira atitude que o Empregador precisa adotar, é tratar a saúde mental dos seus empregados como uma política de medicina e de segurança do trabalho, permanentemente. A segunda, é encarar a depressão, ansiedade, burnout, como doenças normais, sem preconceito. Para exemplificar, se um empregado sofre de diabetes, ele é encarado e tratado de forma normal. Se o empregado sofre de depressão, ele passa a ser tratado como um alienígena, porque existe ainda muito preconceito na sociedade e no mercado de trabalho para o enfrentamento dessas doenças. Em síntese, a Empresa não pode agir como se as doenças da mente fossem um tabu, ou seja, elas precisam ser tratada como as outras enfermidades.

Os Empregadores precisam estar atentos na preservação da saúde dos seus colaboradores, por melhor que seja o cenário mental coletivo e o clima organizacional. É preciso agir de forma antecipada e proativa, criando campanhas, estímulos, debates, que preservem a saúde mental do time. A seguir, estou transcrevendo um julgamento da Terceira Turma do TST , que reverteu uma decisão do TRT, condenando o Empregador ao pagamento de uma elevada indenização, porque a Empregada passou a sofrer de distúrbios psicológicos em decorrência do trabalho exercido. Percebo, neste caso, que faltou a devida atenção da Empresa na exposição dessa trabalhadora diante de cenários tão críticos. Fica o exemplo.

SEGUE A TRANSCRIÇÃO

Operadora de seguradora será indenizada por problemas psiquiátricos decorrentes do trabalho

Entre outros fatores, contribuiu para o quadro o fato de ter de lidar com imagens de acidentes fatais

26/01/21 – A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a seguradora de viagens Assist Card do Brasil Ltda. ao pagamento de indenização a uma operadora de atendimento receptivo que desenvolveu problemas psiquiátricos que resultaram na sua incapacidade para o trabalho. Entre outros fatores, contribuiu para o quadro o fato de ter de lidar com imagens de acidentes fatais.

Sentimentos angustiantes
Na reclamação trabalhista, a operadora bilíngue disse que seu trabalho envolvia atividade excessivamente penosa: ela era responsável pelo primeiro atendimento em emergências médicas, acidentes graves, falecimentos, internações e traslados de cadáveres, entre outros. Segundo seu relato, para dar parecer nesses casos, tinha de avaliar individualmente cada situação em tempo real, analisando “fotos de pessoas dilaceradas ou muito doentes”, e ficava exposta a reações agressivas de clientes que tinham suas solicitações negadas, “situações em que afloram sentimentos angustiantes”. Entre outros problemas, disse que chegou a ver um vulto preto no trabalho, começou a ter crises de choro e foi diagnosticada com depressão e medicada com psicotrópicos.

Perícia
O laudo pericial atestou que a empregada desenvolveu depressão, instabilidade emocional intensa, ansiedade e medo, situação de trauma clássico decorrente das atividades exercidas. Os problemas levaram à redução permanente de 50% de sua capacidade de trabalho.

Embora o juízo de primeiro grau tenha deferido o pedido de indenização, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) reformou a sentença, afastando a conclusão do laudo e a culpa da empresa. Para o TRT, não ficou comprovado o nexo causal entre o trabalho e a doença.

Culpa empresarial
Segundo o relator do recurso de revista da operadora, ministro Alberto Bresciani, a conclusão pericial pela existência do nexo causal e outras provas evidenciam o ato ilícito do empregador e justificam o deferimento da indenização. Por unanimidade, a Turma restabeleceu a sentença, que fixou em R$ 10 mil a reparação por danos morais e em R$ 255 mil por danos materiais.

(MC/CF)

Processo: RR-1001414-38.2016.5.02.0078

O TST possui oito Turmas, cada uma composta de três ministros, com a atribuição de analisar recursos de revista, agravos, agravos de instrumento, agravos regimentais e recursos ordinários em ação cautelar. Das decisões das Turmas, a parte ainda pode, em alguns casos, recorrer à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1).

Esta matéria tem cunho meramente informativo.
Permitida a reprodução mediante citação da fonte.
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Tribunal Superior do Trabalho
Tel. (61) 3043-4907
secom@tst.jus.br

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