VEREADORES FREIAM O DESEMPREGO TECNOLÓGICO

Por Marcos Alencar 28/10/20 marcos@dejure.com.br

Hoje no Recife (Pe, Brasil) está sendo noticiado: “Vereadores do Recife aprovam projeto de lei que proíbe dupla função de motoristas e cobradores de ônibus” e em seguida, uma outra notícia, informando que o prefeito Geraldo Júlio vai sancionar. Entendo isso como um freio “burro” no desenvolvimento tecnológico e um remédio muito forte contra o “desemprego tecnológico”, porque se mata a tecnologia, que pode ser uma aliada na geração de inúmeros empregos.

A manchete desse artigo reflete uma história (fato verdade) que eu conto em algumas palestras minhas, de que em janeiro de 2000 (há mais de 20 anos) o então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, proibiu em todo o País a instalação de bombas automáticas, para que os próprios motoristas abastecessem os seus veículos. Isso poria um fim gradativo nos frentistas de postos de gasolina, que eram estimados em 300 mil trabalhadores. Na época em critiquei severamente esta medida.

Hoje, passados 20 anos, teria feito uma crítica diferente. Conforme explico no vídeo abaixo, é necessária a intervenção do poder público perante a disrupção causada pelo desemprego tecnológico, porém, para que sejam impostas medidas de transição. Por exemplo, lá no ano 2000, deveria FHC ter determinado que em 5 anos os postos poderiam ser automatizados e com isso, os frentistas teriam 5 anos para encontrarem outras formas de ocupação. Associado, teríamos mais postos de gasolina sendo abertos, porque com a automação seria mais barato manter um posto numa localidade de pouco consumo de combustível, face a redução do custo da folha salarial. Novos negócios seriam gerados e a sociedade seria melhor atendida, certamente, os frentistas seriam absorvidos neste crescimento.

O mesmo erro que FHC cometeu lá em janeiro de 2000, passados mais de 20 anos, os vereadores do Recife e o Prefeito junto, cometem. É um erro frear a tecnologia por decreto. O correto seria criar uma regra de transição, para em 2 anos os cobradores serem absorvidos em outras atividades. Com isso, seria possível alinhar o avanço da tecnologia com a empregabilidade dos cobradores. O Brasil ao fazer isso, dá mais uma marcha a ré, da mesma forma que aconteceu com os postos. No mundo, são vários os veículos urbanos de passageiros que não tem cobrador e da mesma forma, postos de combustível que são self, que o cliente abastece.

Segue a reportagem de janeiro de 2000 – LINK

Segue a reportagem de hoje 28/10/2020 – LINK

Segue o vídeo

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