EMPREGADO DO FUTURO, COMO SERÁ?

Por Marcos Alencar 28/11/19

Ontem tive o prazer de participar de dois intensos debates. Um pela manhã e outro a tarde, tratando em ambos a respeito da “uberização das relações de trabalho e de serviço” e do “futuro do contrato de trabalho”. Recebi muitas mensagens, algumas desesperadas, de trabalhadores ativos questionando o que fazer? diante dessa mudança que já chegou. Já estamos com a “água na cintura”, é essa a sensação.

É muito difícil falar com fundamento e exatidão de algo desconhecido. Especialistas na área da tecnologia sabem muito bem explicar toda a ferramenta que temos para aplicar no mercado, substituindo pessoas. Isso é um fato palpável, concreto. O que não se sabe, é como essa tecnologia será recebida e utilizada em larga escala.

Posso citar um exemplo concreto, baseado numa opinião pessoal, que é o mercado dos livros eletrônicos. Percebo que os livros eletrônicos provocou uma onda de leitura na sociedade e isso trouxe, de arrasto, muita venda de livros de papel (físicos). Estas vendas ocorrem no comércio eletrônico e por isso, muitas livrarias fecharam ou estão em dificuldade. O mercado não aceitou livros eletrônicos no nível esperado, pois muitos apostavam que o livro de papel não iria mais existir.

Quem manda no desenvolvimento tecnológico é o mercado. Se o consumidor não comprar a ideia de adquirir a tecnologia, ela não emplaca. Temos vários exemplos ao longo dos últimos 40 anos, com soluções tecnológicas melhores sendo suplantadas por outras menos inteligentes mas que tiveram maior aceitação da sociedade e com isso venceram pelo mercado. O caso do VHS x Betamax é um bom exemplo e temos agora o Whatsapp x Telegram.

Mas o que fazer, eu que sou empregado e preciso pagar as minhas contas? Estou com receio de ser trocado pela máquina ou por um software. Bem, eu vejo como impossível sequer tentar responder uma pergunta tão complexa através de um breve artigo, sendo o meu intuito aqui de repassar algumas dicas, que amealhei ao longo de mais de 30 anos acompanhando o mercado de trabalho.

Recomendo que:

1 – Analise a sua ocupação frente ao mercado de trabalho nos países mais desenvolvidos. Não temos, por exemplo, frentistas de posto de gasolina, no mundo desenvolvido. Cobrador de ônibus, idem. Se a sua ocupação não existe noutros mercados, a partir de “ontem” trilhe uma outra ocupação que tenha a ver com a experiência adquirida nesta atual ocupação. Se você é um cobrador, pode trabalhar como caixa, controle de estoque, conferente de logística, etc.

2 – Se “alfabytize”. Isso quer dizer, aprenda a se comunicar com os mais diversos softwares. Não cabe aqui aquela máxima do “eu detesto computador”, “odeio a informática”, etc., se quiser sobreviver terá que aprender a falar este idioma. A “alfabytização” consiste em “operar com propriedade” um computador. Não estou aqui tratando de hardware (não estou pregando habilidades de conserto da máquina) mas sim da intimidade com o software. O trabalhador do futuro precisa ter muita habilidade com a informática em geral. O seu telefone celular é um bom começo. Se você apenas o utiliza para ligar e desligar, comece a mexer nas configurações e tente interagir com o raciocínio lógico de “programar” o mesmo para o seu perfil. Se não houver jeito, busque estudar a matéria, fazendo um curso básico de acesso a este universo. São muitos os empregados que ganham bem menos ou ficam de fora de uma seleção, porque nada entendem da informática, não sabem nem ligar e desligar um computador; idem, em fazer uma simples busca na internet. As empresas hoje, todas, “rodam” com sistemas informatizados e sem saber nada sobre isso, fica impossível de se trabalhar em muitos ramos.

3 – Estando empregado, amplie a sua forma de atuação, se pague, demonstre que você é o melhor naquilo que faz e que o seu serviço é essencial para a empresa. Os bons empregados, que fazem o seu ofício com dedicação, comprometimento, com amor, tendem a ser vistos pelas chefias e são, na maioria das vezes, reaproveitados. Empregado bom, segundo a classe empresarial, é algo difícil de se encontrar – porque as pessoas muitas vezes não trabalham por propósito e apenas pelo dinheiro. Se o empregado se mostra útil, vantajoso, resolvedor de problemas, essencial, harmônico com os valores da empresa – a tendência é que ele permaneça.

4 – Não descarte de tudo isso a sua saúde mental e inteligência emocional. Para que se tenha essa tranquilidade, é necessário que se busque uma vida pessoa organizada. O empregado precisa entender que não existe mais segurança no mercado, nem para ele e nem para o seu empregador, Portanto, os gastos devem ser muito pensados. Um grande motivo do desajuste emocional dos trabalhadores, são as dívidas. A incerteza de pagamento das mesmas, a perda do crédito, gera um medo e até desespero. Investir na organização financeira, é essencial para que se trabalhe de forma tranquila e em paz. Isso só reflete num serviço mais equilibrado e producente.

5 – Estude diariamente. Temos hoje várias opções de aperfeiçoamento pessoal, através da internet. Cito como exemplo o Instituto Êxito de Empreendedorismo, que gratuitamente disponibiliza cursos na sua plataforma. Você pode também acessar a livros, relacionados com a sua ocupação. Este ano de 2020 estou impondo a meta de ler um livro por semana. Se não conseguir terminar, o livro fica pela metade e na semana seguinte eu já inicio outro livro, depois posso até ler em paralelo o que ficou pendente e terminá-lo. Lendo livros, a sua capacidade de discernir na solução de problemas aumenta muito. A informação se converte em poder. A sua decisão fica mais lúcida e fundamentada. É necessário estudar a sua ocupação todos os dias, nada do que será aprendido será perdido, nem que ela deixe de existir.

Em resumo, o empregado do futuro precisa estar olhando para o futuro (breve, médio e longo prazo) e tomar decisões para se reposicionar no mercado de trabalho, se adaptando as novas tecnologias; precisa estar “alfabytizado” para conseguir falar o mesmo idioma das máquinas (computadores, aplicativos, etc.); precisa estar bem financeiramente, para que as dívidas não tirem a sua paz; precisa ter em mente que o seu trabalho deve ser pago com o que ele produz e gera de resultado.

Compartilhe esta publicação

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on linkedin
Share on email