Por Marcos Alencar 20/09/21 marcos@dejure.com.br
Estou escrevendo este artigo partindo do meu campo de observação e sem pretensão de opinar com profundidade, no campo psicológico das relações de trabalho. A intenção é trazer o assunto ao debate, por conta da quantidade de acionamentos que tenho recebido, semanalmente, por doenças relacionada a mente de trabalhadores.
Considerando que tenho acesso a vários ramos da economia, percebo que tal situação não é específica a um determinado segmento e ramo empresarial. Com a chegada abrupta da pandemia (ela escancarou uma janela que estava fechada) fomos testados severamente quanto ao equilíbrio mental e muitos se viram desprotegidos ou enfraquecidos quanto a isso. As fragilidades não suportaram o teste de stress e “muitas casas desabaram”.
Com o trauma sofrido, porque são milhares de pessoas que perderam entes queridos (sem contar as inúmeras sequelas), e, tudo isso aliado ao fechamento de negócios, distanciamento social, etc. estamos com 50% da população ativa, doente (avaliação particular minha, sem embasamento científico, aviso, é apenas um palpite!).
Porém, estimo esse número e indo mais longe, estou sendo conservador.
– Mas como resolver isso?
Fiz essa pergunta para vários especialistas no campo da psicologia e a resposta além dos tratamentos que já conhecemos e das terapias, me geraram algumas sugestões que me estimularam a escrever esse artigo;
Primeiro, se não cuidarmos dos que aparentam estarem gozando de boa saúde mental, estes poderão seguir para o mesmo problema e/ou serão contaminados pela metade do contingente;
Segundo, o fato de estar rodeado de pessoas doentes, sem ânimo para trabalhar, pode sim desencadear os mesmos problemas nesse micro universo coletivo;
Terceiro, a solução é o investimento ativo, pesado, em mecanismos que combatam esse fenômeno e que não espere (o empregador) que a doença se instale nas equipes;
Quarto, é preciso assumir as rédeas e cuidar “proativamente”, implantando rotinas semanais de exercícios que estimulem a mente dos empregados (colaboradores) a ter bons pensamentos;
Quinto, o indivíduo primeiro pensa, para depois converter o pensamento em ações (atitudes) ou omissões. Logo, as empresas precisam de mentes sãs, fortes, descansadas, que permitam aos times uma maior força de enfrentamento das dificuldades do dia a dia e a gerir os problemas pessoais e familiares, que todos temos.
Seguem algumas sugestões:
- Criação de um comitê para estimular e divulgar boas práticas, voltadas a saúde mental;
- Criação de uma agenda ativa, com eventos ( ex. palestras de psicólogos, leitura de artigos, exercícios laborais, etc.);
- Conscientização dos gestores para que sigam uma cartilha de avaliação mental (a ser elaborada pelo RH) das suas equipes e que ajam preventivamente, ficando alerta aos sintomas;
A pandemia trouxe um convencimento – ainda para poucos gestores – de que a saúde mental não é mais uma questão secundária, mas prioridade máxima para que as empresas voltem a funcionar como antes, ou aliás, melhor do que antes.
