Os estagiários precisam afiar o machado antes de se decidir.

Por Marcos Alencar Normalmente o estagiário é jovem, ainda numa faixa etária indefinida, meio adolescente e meio adulta. Este momento existencial gera uma série de dúvidas e de inseguranças, o que é natural. O estagiário – algumas vezes – é empurrado para o estágio pelo curso que frequenta. Não se trata de uma decisão tomada com responsabilidade e afinco e por querer realmente cumprir com o estágio. É raro o estagiário acordar um dia e bater os pés no chão e sair da cama dizendo aos quatro cantos do Mundo que vai estagiar, que é aquilo o que realmente quer da vida. Este é o momento mais difícil e decisivo desta longa caminhada profissional. É a escolha do que se gosta. Quando falamos “escolher o que se gosta” aparenta ser fácil e simples de se definir. Mas na prática, não é tão fácil assim. Você antes de se decidir pelo estágio deve fazer a sua escolha profissional correta. Vejo o estágio como a primeira “prova dos nove” se realmente o caminho escolhido está no rumo certo. O ato de “escolher o que se gosta” profissionalmente falando, deve considerar o seguinte:

  • A paixão (futuro amor) pelo ofício a ser escolhido.
  • A rentabilidade desse ofício.
  • A possibilidade de realização.
Quando abrevio tudo e cito estes 3 tópicos, quero dizer que “a paixão” é necessária, pois é um tremendo componente para que tudo dê certo. As batalhas profissionais que estão por vir prescindem um estagiário e futuro profissional, literalmente, apaixonado por aquilo que escolheu. Você precisará se apaixonar várias vezes pela sua profissão, para aguentar a quantidade de revezes que irão naturalmente surgir. Sem esta paixão, fica difícil termos persistência, disciplina, dedicação, amor por fazer tudo da melhor forma possível, dia após dia, até o final da carreira com a aposentadoria. Recordo-me que quando optei pela advocacia, era desanimador enfrentar o “Foro” todos os dias. Eu tinha muitas tarefas desagradáveis, do tipo: Carregar processos, esperar longos períodos para ser atendido por um servidor que nem sempre estava bem humorado, esperar horas e horas por uma audiência, perder o horário do almoço pelo trabalho, ser destratado por ser estagiário, ter que trabalhar nos fins de semana para dar conta de todas as tarefas (ao invés de ir a Praia, sair com os amigos, etc.), principalmente nos sábados de manhã. O que me fez persistir foi a minha paixão, que mais tarde se tornou em amor. Ela me estimulou e estimula até hoje a apurar um saldo positivo, entre prazeres e desprazeres da profissão. No quesito da “rentabilidade” é importante alertarmos que ser “rentável” não significa ficar rico da noite para o dia. Eu costumo dizer que, até vendendo agulhas o cidadão pode enriquecer, desde que ele seja muito bom no que faz, tenha foco, trabalhe muito e com diligência, faça as escolhas certas e tenha sorte, e, gaste menos do que se ganha. A “rentabilidade” de uma profissão deve ser medida pela sua disposição em enfrentá-la. Eu não me imagino trabalhando numa UTI infantil de um grande Hospital, acho que já teria morrido de depressão. Jamais conseguiria deixar de sofrer junto com as crianças que lá estão. Logo, nunca seria “rentável” a minha profissão de Médico nestas condições. É importante que você – que está escolhendo agora o rumo a trilhar – visualize o futuro da sua profissão e veja se realmente é aquilo que quer na sua vida. Vivemos caro leitor, mais no trabalho do que junto à família e amigos, portanto, se dedique muito a esta análise e escolha, pois ao invés de sofrer com o trabalho, ele deve lhe proporcionar realização, alegria e prazer. No que diz respeito à “possibilidade de realização” quero dizer se na sua Cidade você dispõe de escolas, de trabalho, etc.. que permitam a realização da sua profissão? Recordo-me, quando ainda estudante, que muitos amigos enveredaram pelo caminho da agronomia, mas quando eu perguntava se eles estavam dispostos a irem morar no campo, muitos diziam que não, que viriam isso mais adiante. Isso é grave. Obviamente, ser agrônomo num grande centro urbano é possível, mas o mais natural é que seja a sua profissão desempenhada no campo, lá é onde se encontra o seu mercado, a sua clientela. Verifique se a “possibilidade de realização” se alinha com as suas expectativas de vida. Uma coisa é certa, quem está na sua faixa etária ou vivendo este momento profissional é natural que esteja muito indeciso. Investir tempo na decisão do que se “vai ser quando crescer (profissionalmente falando)” vale muito a pena. É o maior investimento profissional que se pode ter, inicialmente. A profissão é como uma árvore. Precisamos escolher primeiro para o que queremos a árvore. Depois, o terreno, a semente, como administrará o crescimento dela, enfim. Este momento de escolher passo a passo todos estes componentes, precisa de muito investimento, aconselhamento, de calma. A cada volta, a cada mudança de direção, perdemos tempo. Tempo não se encontra a venda nas prateleiras, logo, máxima cautela nesse momento. Existe uma história que me recordei agora e posso contar aqui em breves linhas, que se adapta ao que estou querendo passar, quanto à maturação da escolha e o se evitar a perda de tempo. É mais ou menos assim: “Querendo tornar-se também um lenhador, um jovem escutou falar do melhor de todos os lenhadores, resolveu procurá-lo e tomar conselhos, para se tornar um grande lenhador. O experiente lenhador, depois de algumas aulas, o convocou para uma disputa, para ver quem conseguia cortar mais árvores. O jovem partiu para o desafio com o machado em punho, sem querer perder um minuto sequer, e o experiente lenhador recolheu-se. Quando terminou o tempo, para surpresa do jovem, o experiente havia cortado muito mais árvores do que ele. Surgiu a grande indagação: Como pode? O Senhor se recolheu e não o vi cortando as árvores tanto tempo assim, o que vez para me superar em tão grandiosa diferença? O experiente lenhador respondeu: Todas as vezes que me recolhi, não foi para descansar, mas para afiar o machado. Foi por isso que você perdeu.” Em síntese, perceba o que quero objetivamente lhe dizer e marcar a sua leitura com esta breve historinha, é que o momento inicial para escolha da profissão e do estágio deve ser como o “afiar o machado” muito escolhido e pensado, ponderado. De nada adianta partir para o mercado de trabalho com todo gás e energia, sem que você esteja afiado e certo daquilo que busca, será perda de energia e tempo. Este momento deve ser cumprido com muita cautela, imagine quantas vezes comprou algo que achava ser a melhor escolha e depois de uma noite de sono percebeu que não era nada daquilo que estava buscando? Por isso, escolher, decidir, depende também de um tempo de reflexão, por melhor e mais perfeita que possa aparecer a sua escolha, aguarde uns dias ou até semanas, um mês, para realmente ter a certeza que decidiu emocionalmente e racionalmente, por tal caminho.  ]]>

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