Mulheres no Trabalho: As Barreiras Invisíveis

Por Marcos Alencar – 22/05/2025 – marcos@dejure.com.br

Apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, as mulheres seguem enfrentando desafios estruturais no mercado de trabalho brasileiro. Barreiras invisíveis, que não aparecem nos manuais de conduta nem nos organogramas, continuam impactando diretamente as trajetórias profissionais femininas.

A disparidade salarial, o baixo acesso a cargos de liderança, a penalização pela maternidade e os diversos tipos de assédio figuram entre os principais obstáculos. São problemas que, embora debatidos, seguem presentes em empresas de todos os portes e setores.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em 2019, os homens tiveram rendimento médio mensal 28,7% maior do que o das mulheres, considerando os ganhos de todos os trabalhos. Enquanto eles receberam R$ 2.555, acima da média nacional (R$ 2.308), elas ganharam R$ 1.985, segundo o módulo Rendimento de Todas as Fontes, da PNAD Contínua. Agência de Notícias – IBGE+5Agência de Notícias – IBGE+5IBGE+5

O problema não é só o salário. É o acesso limitado às promoções, à liderança e aos projetos mais estratégicos. Muitas vezes, quando uma mulher sobe na hierarquia, ela precisou provar dez vezes mais sua competência do que qualquer colega homem.Agência de Notícias – IBGE

Outro fator que impacta diretamente as carreiras femininas é a maternidade. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), quase metade das mulheres é demitida até dois anos após o retorno da licença-maternidade. Embora a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) assegure estabilidade provisória durante a gestação e após o parto, muitas empresas, na prática, adotam políticas de esvaziamento de funções ou inviabilizam a permanência dessas profissionais.Agência de Notícias – IBGE

O assédio, tanto moral quanto sexual, continua sendo uma realidade enfrentada por muitas mulheres no ambiente corporativo. Relatórios do Ministério Público do Trabalho (MPT) apontam aumento no número de denúncias de assédio sexual nos últimos três anos, com destaque para setores como comércio, serviços e tecnologia.

Na avaliação de especialistas, as práticas de inclusão no mercado de trabalho ainda são insuficientes. A presença feminina em cargos de liderança no Brasil é de apenas 18%, segundo estudo da consultoria Grant Thornton.

A afirmação de que apenas 18% dos cargos de liderança no Brasil são ocupados por mulheres é um pouco imprecisa. A pesquisa “Women in Business” da Grant Thornton, que acompanha a questão há 20 anos, indica que o número atual é de 33,5%, tendo passado de 19,4% quando a pesquisa começou. Apesar de ser um avanço, a evolução é considerada lenta, e a equidade de gênero nos cargos de liderança só seria alcançada em 2053, se o ritmo continuar assim” – fonte Google.

Quando se trata de conselhos administrativos, esse percentual cai para menos de 10%.

Para especialistas em gestão e em direito do trabalho, enfrentar essas barreiras exige mais do que campanhas institucionais. É necessário revisar práticas de recrutamento, garantir transparência na política salarial, criar canais seguros para denúncias de assédio e estruturar programas consistentes de desenvolvimento de lideranças femininas.

Apesar dos desafios, há avanços pontuais. Grandes empresas dos setores financeiro, tecnológico e industrial vêm adotando metas para equidade de gênero, ampliando licenças parentais e estabelecendo políticas de compliance específicas para prevenção de condutas discriminatórias.Agência de Notícias – IBGE+2IBGE+2IBGE – Educa+2

Ainda assim, especialistas alertam que o ritmo das mudanças é insuficiente diante da dimensão do problema. As barreiras invisíveis que limitam o crescimento profissional das mulheres permanecem como um dos principais desafios do mercado de trabalho contemporâneo.

Quebrar essas barreiras é uma necessidade econômica, social e ética. E, mais do que isso, é uma responsabilidade coletiva.

É isso.

Sds Marcos Alencar