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PRIMEIRO DE MAIO DE 2018, VAMOS PENSAR POSITIVO.

Escrito por Marcos Alencar | Maio 1, 2018

PRIMEIRO DE MAIO DE 2018, VAMOS PENSAR POSITIVO.

Por Marcos Alencar 01/05/18.

Eu confesso que este está sendo o Primeiro de Maio, o dia internacional do trabalho, mais difícil para escrever um artigo que mostre caminhos e alternativas positivas aos empregados e empregadores.

Escrevo este artigo como uma fotografia histórica do momento, salientando que as considerações são minhas, logo, devem ser lidas e entendidas como a minha visão e concepção do mundo trabalhista.

O cenário que estamos vivendo, é de guerra.
O cenário é de guerra e de destruição, porque as pesquisas nos trazem números oficiais ruins. Temos hoje mais de 13 milhões de pessoas desempregadas. Se considerarmos este número multiplicado por 3, chegaremos a 39 milhões de pessoas sem contar com a certeza do salário no fim do mês, de forma direta ou indireta (filhos, cônjuges, dependentes em geral).

Porém, repetindo uma frase que já disse aqui inúmeras vezes, não se cria emprego por decreto. O desemprego não é subproduto do emprego, mas sim a consequência da queda econômica do País. Quem sofre o primeiro corte, é a folha de pagamento. Da mesma sorte, quando a economia deslancha e cresce rapidamente, os postos de trabalho passam a ser criados com a velocidade da luz.

Isso nos mostra que a cura do desemprego, dos 13 milhões de postos de trabalho que nós brasileiros precisamos gerar, não germinam por si só. É necessário sim, termos cadeia produtiva operante, continuadamente, para que a empregabilidade volte.

Sem maiores conjecturas e delongas, passamos recentemente por esse cenário no Brasil e mais precisamente no Nordeste, quando do então segundo mandato do Presidente Lula.
O Porto de Suape se tornou um eldorado pernambucano e porque não nordestino, que gerou com rapidez aproximadamente 40 mil empregos. A economia do entorno se transformou completamente, até caravanas de imigrantes trabalhadores, tivemos por aqui.

Quem foi o responsável por tanto êxito na empregabilidade? Foi o investimento em infraestrutura.

Essa palavra mágica é a maior geradora de empregos, uma pena que a mesma nos últimos 10 anos tenha sido associada ao mar de lama da corrupção empresarial e política no nosso País.

Abrindo o primeiro parêntese de alento otimista, se fizermos um exercício rasteiro e mental, para considerarmos o investimento de todo o dinheiro que foi desviado na operação lava jato (que é um ratinho muito pequeno, diante de todo o “mecanismo” político dos Estados e Municípios) e imaginarmos esse numerário investido na infraestrutura, teremos sim razões para comemorar.

O Brasil possui uma das maiores massas de consumo reprimido do Mundo ocidental, de gêneros de médio e baixo valor agregado, porque temos 200 milhões de pessoas ávidas a consumir, mas sem poupança, sem crédito e sem dinheiro.

O País é carente e precisa de ferrovias com “incontáveis” quilômetros para escoamento da sua produção, de rodovias, de portos (marítimos e fluviais), de aeroportos, de metrôs urbanos, etc. ou seja, temos muito o que construir.

Portanto, não podemos “tapar o sol com a peneira” porque o momento é sim de catástrofe e cenário de guerra, porque o brasileiro precisa do seu emprego e salário, para ontem, o estomago faminto não pode mais esperar, mas temos um futuro a ser construído que poderá gerar muito emprego e renda.

Estamos no mesmo barco.
Na medida em que a crise vai apertando, que na verdade significa ampliando-se e com isso apertando o sapato de todos os empregados e dos empregadores, passamos a conceber a real sensação de que estamos no mesmo barco e que não podemos mais agir de forma cética, virando-se de costas.

A referência que faço a de estarmos dentro de um mesmo contexto e situação, é a notória, mas imperceptível para muitos, que é a realidade de estarmos sem empregos, não há salários, não há consumo, não há empresas. Sem empresas, não há empresários e nem os sonhados empregadores.

O puxão de orelha é merecido para todos, porque na medida em que a mão de obra persegue e tenta destruir o capital, ela própria está se autodestruindo.

Na medida em que o capital busca mecanismos de demissão em massa e não mais contratação de mão de obra, ou contratação de subempregados, de trabalhadores clandestinos, “pejotas”, escravos, etc., idem, está também aniquilando a cadeia de consumo que é quem compra o seu produto ou serviço.

Obviamente, que exigir que nós brasileiros pensemos tão grande, não é uma tarefa fácil, mas vejo o funcionamento do mercado, simples assim.

O segundo parêntese positivo é que se tivermos todos os recursos destinados para corrupção realmente investidos, teremos os tão sonhados milhões de empregos, de volta.


A economia cada vez mais integrada ao consumo e emprego.

Como dito antes, não há mais espaço para pensar a economia crescente associada ao desemprego. Sem empregos e com as classes menos abastadas longe da cadeia de consumo, o reflexo é imediato na aquisição de bens de consumo, o que gera o freio na compra e também inadimplência em números inaceitáveis.

Tudo isso tem um preço, com a incerteza do recebimento, os preços sobem, encargos, juros, etc. A lição que fica, é que a empregabilidade não é um problema apenas dos que estão desempregados e do Governo que precisa gerar abertura de postos de trabalho, mas principalmente do setor produtivo, que precisam das pessoas consumindo.

O capital passa a enxergar a geração de empregos como um braço do seu próprio negócio, é um ponto de preocupação. Se fizemos um exercício infantil de imaginarmos uma pequena mercearia num vilarejo e se todos que ali residem, clientes em potencial, perdem os seus empregos e fontes de renda, consequentemente a mercearia vai fechar as portas, por ausência de clientes e não pagamento das compras.

O terceiro parêntese positivo, é que empregar o cidadão não é mais um problema de quem está desempregado, mas sim de todos que precisam vender seus produtos e serviços e do Governo, em arrecadar os impostos, passa a ser parte do negócio.

Desemprego tecnológico e robotização.
Já está em operação, robôs no atendimento de clientes de uma grande operadora de tv a cabo do país, ele realiza 400 mil ligações por mês para os usuários (e também inadimplentes) superando as 119 mil ligações que seres humanos realizavam. Isso é uma realidade, neste primeiro de maio.

A tendência dos especialistas em tecnologia e operadores do direito do trabalho que acompanham esse fenômeno de perto, iniciado pelas câmeras em substituição a tantos porteiros e vigias, pode sim significar uma revolução tecnológica nos mesmos moldes e dimensão da revolução industrial.

Eu interpreto esse fenômeno que cresce assustadoramente, dia a dia, com dois pontos básicos em relação ao emprego.

Primeiro, que esse aumento das ligações telefônicas, por exemplo, gerará o dobro dos negócios e seres humanos estarão nessa cadeia produtiva de atendimento;

Segundo que a exemplo dos operadores, teremos ocupações em total extinção (call centers humanos), assim como ocorreu com os porteiros que me referi, que diminuem a cada dia, em decorrência do uso das câmeras.

Podemos citar um exemplo clássico, é o dos Correios e das empresas que fazem o mesmo serviço de entrega de mercadorias, a logística. Quando a popularização do e-mail, muitos apostaram no fim dos Correios, porque não haveria mais a troca de cartas.

Apesar disso, de terem as cartas acabado, houve um enorme crescimento no transporte de mercadorias gerado pelo comércio on-line, que veio junto com a “onda” do e-mail.

A Reforma Trabalhista mocinha ou vilã e as suas inconstitucionalidades.
Sou um defensor da Reforma Trabalhista, principalmente, no aspecto do direito material, o que interfere nos contratos de trabalho, a exemplo: Do direito negociado acima do direito legislado, contrato de trabalho intermitente, o banco de horas sem a participação do sindicato de classe, a rescisão consensual, o intervalo intrajornada menor do que 1 hora, vejo tudo isso como avanços em vários segmentos do mercado de trabalho, bem como uma ferramenta de sedução a contratação de mão de obra.

Entendo que são inconstitucionais, os pontos: O fim da contribuição sindical por ir de encontro a ampliação do direito negociado, os honorários de sucumbência, periciais e custas processuais aos reclamantes com a concessão da justiça gratuita, porque violam o livre acesso a Justiça.

Prevejo que, provavelmente, o STF vai acolher as declaratórias de inconstitucionalidade.

Quanto a queda das reclamações trabalhistas, entendo que poderá ser mantido o combate as ações aventureiras, bastando se aplicar a litigância de má-fé com maior rigor.
Ainda no quesito da sucumbência, estamos vivendo um momento de adaptação, que provavelmente será superado com a compensação de honorários de sucumbência que terão que ser pagos pelos empregadores, normalmente reclamados, e, pelos reclamantes – quando estes tiverem crédito no processo.

O futuro político do Brasil.
A indefinição no dia de hoje, de favoritos a candidatura à Presidência da República gera mais uma insegurança política e também no mercado de trabalho.

O Brasil está dividido, entre uma esquerda radical e uma direita radical, algo que vem em ritmo crescente desde a última eleição presidencial, pois não podemos esquecer que a Presidente Dilma venceu nos últimos minutos de apuração.

O futuro presidente, que ainda nem desconfiamos quem possa ser, terá que gerar uma agenda positiva de grandes reformas na infraestrutura brasileira, para retomada da construção civil e pesada, pois ela é a mola mestra da empregabilidade, já que movimenta vários outros segmentos da economia.

Sem uma visão gigante de grandes obras, continuaremos no “voo de galinha”, com altos e baixos, comemorando números inexpressivos do IBGE, comparando sempre a desgraça atual com a do trimestre do ano passado, que foi um dígito melhor, algo que notoriamente não resolve o problema dos 13 milhões de desempregados e de toda a cadeia produtiva e de consumo que precisam desses salários sendo pagos e gastos.

O parêntese que abro aqui, de otimismo, é que o Brasil precisa eleger alguém que se preocupe com o mercado de trabalho, em prol do crescimento do País e da sua economia, pois o que sustenta a economia é o consumo. Sem empregos, não teremos consumo sustentável.

A intolerância trabalhista por parte do INSS, MT, MPT e JT.
Nos últimos discursos e pronunciamentos, percebi uma tímida postura das autoridades do trabalho com uma maior condescendência contra o capital que emprega.

Acredito que estão enxergando o fundo do poço e assim aprenderam ou ainda estão aprendendo, que fiscalizar e punir – com elevada severidade – quem emprega, termina revertendo contra o próprio empregado, que numa visão míope aparentava vencedor dessa opção.

Na medida que a empresa fecha ou tem o seu caixa abalado, o primeiro corte é na folha de pagamento.

No Brasil não existe lei, que proíba as demissões sem justa causa. Por tal razão, se a empresa sofre embargo, interdição, de certo modo deixa de funcionar, o reflexo disso será sofrido pelos trabalhadores que dependem do emprego gerado por ela.

A visão de empresa social, infelizmente, é de apenas uma via de mão única, quando o assunto é cobrar impostos, direitos previdenciários e trabalhistas, porque as execuções são de morte contra a pessoa do empregador.

O “Governo” sentido amplíssimo não compreende que fechar empresas gera o fechamento de postos de trabalho.

Temos como exemplo o caso da RIACHUELLO, que emprega milhares de pessoas, diretamente ou indiretamente, não pode ser tratada como uma mercearia da esquina, porque se a mesma fechar as portas ou paralisar as suas atividades, mesmo que parcialmente, gerará um gravíssimo e danoso reflexo em toda uma cadeia produtiva e no mercado de trabalho.

Posso exemplificar com a minha ousada posição quando me referi a uma modalidade jurídica a ser criada, para intervenção branca na ODEBRECHT visando não parar a empresa, porque na época a mesma empregava mais de 100 mil pessoas. Uma empresa desse porte, considerando a mão de obra e familiares que dependem dela, não pode ser parada em prol de uma canetada.

O legislador foi sábio quando apontou para grandes corporações como empresas de cunho e participação social, sem desmerecer as pequenas que empregam também um grande contingente.

A diferença é que no Brasil se trata uma empresa intercontinental como um quiosque de shopping center, numa decisão qualquer se trava a empresa e todos vão para rua.

Temos como exemplo aqui o grupo empresarial João Santos, é mais um “case” de perdas de empregos e de fim de várias unidades industriais, por não existir essa visão macro da mão de obra que precisa da empresa não para ser indenizado, mas para sua sobrevivência.

Não estou pregando salvar empresas por decreto, sei que o mercado se regula e que muitas vezes isso não é possível, mas o que estou reclamando é da falta de debate neste sentido, de um pensamento político voltado para isso.

A regulação da automação.
Por fim, me rendo aqui a conclusão desse post que visa fotografar o momento trabalhista que estamos vivenciando, sob a minha ótica, e passo a pensar em algo que sempre foi contra os meus princípios, que é a regulação da automação.

A regulação da automação, criando limites para que o desemprego não ocorra em larga escala e sem chance de recuperação, deve ser uma bandeira defendida mais pelos que precisam vender seus produtos e serviços, do que daqueles que precisam de emprego.

A falta do emprego é uma catástrofe a parte, gera desagregação familiar, violência doméstica, inserção no mundo das drogas (venda e consumo), na prostituição, no pequeno delito, depressão, enfim, mas a destruição se amplia na medida em que os reflexos do desemprego afetam o consumo.

Nada é mais grave para um negócio, do que não ter a quem vender ou quanto se vende algo não se recebe, face a inadimplência crônica, e isso tende a gerar mais desemprego porque o negócio não se sustenta mais e a área mais frágil é a folha de pagamento.

Diante desse cenário e parafraseando os americanos, precisamos de uma guerra para gerar negócios, consumo e pagamento das contas em dia, muitos de lá defendem uma guerra de verdade, mas eu defendo a guerra ao desemprego.

O atual Presidente dos Estados Unidos, prega proteção aos produtos americanos e retorno das fábricas para as terras do Tio Sam, e isso são sinais importantes que servem de guia para vários mercados emergentes como o nosso.

O Brasil precisa se preocupar com a robotização e o desemprego tecnológico, pois já é uma realidade e isso afeta, se não for ordenado, a tudo e a todos, aos trabalhadores, empresários e ao Governo que deixa de arrecadar impostos, pelo que o debate sobre esta regulação precisa ser ontem.

Feliz 1 de maio de 2018.

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AS NOVAS TECNOLOGIAS ELIMINAM POSTOS DE TRABALHO?

Escrito por Marcos Alencar | Janeiro 20, 2016

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Por Marcos Alencar (20/01/16)

A pergunta que faço e questiono (sem responder ao certo) neste post, visa levantar um debate a respeito das novas tecnologias ou na ampliação delas nas atividades da sociedade, se isso ajuda ou atrapalha a humanidade na questão da empregabilidade (?).

O site “sohistoria” define que – “A Revolução industrial foi um conjunto de mudanças que aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX. A principal particularidade dessa revolução foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas.”

Entendo que a sociedade moderna está passando por um novo ciclo de industrialização, sendo que ao invés das máquinas temos os softwares, os chips, os computadores – mas na essência estamos em franca “substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das máquinas”.

Na medida em que os governos e as instituições lutam contra o desenvolvimento tecnológico e exigem “burramente” a criação de empregos por decreto, sem repensar na baixa do custo da mão de obra (me refiro a redução, sem reduzir salários – mas sim direitos mais flexíveis), não vejo com bons olhos o futuro da nossa nação.

O ato de empregar alguém deve ser visto como um ato de sedução. Todo o arcabouço jurídico precisa seduzir o capital para que ele queira estar ao lado do trabalho (seres humanos empregados). Se esta sedução não existe ou se é um ponto de “stress”, isso provoca a fuga do capital em busca das novas tecnologias.

Para estimular o debate, faço algumas comparações concretas: O alto custo do petróleo e a banca imposta pelos Árabes, estimulou o carro elétrico; O alto custo da energia elétrica, estimula a adoção de painéis solares fotovoltaicos; o alto custo da telefonia, estimulou o surgimento do whatsapp (mais barato escrever uma mensagem do que fazer uma ligação); enfim, a hiper valoração de alguma coisa faz com que a parte que se sente explorada, busque caminhos alternativos.

Na medida em que um motorista de ônibus passa a receber um salário de R$10.000,00 (dez mil reais) para dirigi-lo, valerá a pena a empresa instalar um supercomputador e um software de “self-driving car” que já está sendo desenvolvido com sucesso pela google e outras empresas do ramo. Porém, enquanto o salário for compatível, valerá a pena ter o ônibus dirigido pelo ser humano motorista e a tecnologia não será atrativo ao empresariado.

O altíssimo custo de se ter empregados no mundo assistencialista que encara o lucro como pecado (Brasil, França, Itália, etc..) estaremos “cutucando a fera do desenvolvimento tecnológico com uma vara muito curta”. No Reino Unido, apenas para terminar com estes exemplos concretos, temos algumas lojas do “Sainsbury’s” (rede de pequenos mercados) sem caixas seres humanos, o cliente passa os seus produtos no leitor ótico e ao final paga com o cartão na máquina do caixa. A mesma coisa ocorre na rede americana “Voons” em algumas de suas inúmeras lojas.

Em síntese, o Brasil precisa enxergar tudo isso e abrir um fórum permanente de análise das novas tecnologias versus os postos de trabalho e entender que a conta de empregar alguém de carne e osso precisa ser – no mínimo – um pouco maior do que se ter uma máquina. Taxar com severidade a empresa que investe e pretende ter mais e mais postos de trabalho, não é o caminho adequado.

Eu confesso que não tenho uma fórmula mágica para reduzir o custo da mão de obra, mas há dentro de mim um bom começo que é a ideologia de valorizar o lucro, o investimento na produção, em aumentar a tolerância e acabar a perseguição (leia-se fiscalização descomedida e persecutória: INSS, Ministério do Trabalho, MPF, Ministério Público do Trabalho, Receita, enfim) de quem gera empregos. Estes órgãos deveriam trabalhar em prol de quem emprega e não contra eles.

Precisamos urgente mudar a direção e evitar que quem possui um negócio, pense todos os dias em não ter mais negócio ou em ter o mínimo de empregados possível. O capital precisa ser seduzido, para que os postos de trabalho se estabilizem e que quem emprega veja que vale a pena ter uma pessoa ao seu lado ao invés de uma máquina.

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O FENÔMENO CONTAX.

Escrito por Marcos Alencar | Janeiro 22, 2015

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Por Marcos Alencar (21/01/15)

Nos idos do ano 2000, importante relembrarmos, segundo reportagem da época o Brasil era o segundo do mundo em taxa de desemprego, quando a avaliação era de números absolutos, com 11,45 milhões de pessoas desocupadas. O país perdia apenas para a Índia, então com 41,3 milhões de desempregados. Não existe nada mais catastrófico – em termos financeiros e de futuro – do que uma família ter o seu provedor ou provedora, desempregado. O desemprego, neste período obscuro, era uma das maiores causas do desajustamento familiar e esfacelamento das famílias.
Imagine a perda do emprego associada a uma inflação altíssima que alterava os preços a cada dia quanto não por período, o que se podia comprar de manhã não se confirmava a tarde.

Na medida em que eu assisto as autoridades do trabalho paralisarem as atividades de uma empresa que emprega milhares de pessoas, sob o fundamento de que ali se pratica assédio moral, violação de direitos trabalhistas em geral e desrespeito as normas de segurança e saúde, vejo tudo isso como um enorme desserviço à nação. Sem desmerecer e nem entrar no mérito do conteúdo da fiscalização, o que não concebo é parar o andamento do negócio, quando todo o processo de inspeção pode ocorrer de forma paralela, sem “show pirotécnico”. No Brasil de 2015 os auditores fiscais do trabalho tem mais autoridade do que um Juiz, na prática, porque as suas intervenções muitas vezes possuem força de coisa julgada, podem quebrar literalmente a propriedade privada. Quem é o grande perdedor disso tudo é a sociedade, o País e as pessoas e suas famílias, que dependem do emprego. Não é de hoje que se comenta no desemprego tecnológico e de hábitos.

Se imaginarmos um frentista brasileiro buscando emprego na maior parte dos países desenvolvidos, certamente ele continuará desempregado pelo resto da vida. Somente em algumas partes da Itália que temos o frentista de posto operando bombas de gasolina, no resto da Europa isso não existe, assim como nos Estados Unidos e Canadá, quem se serve do combustível é o próprio motorista. No ramo de atividade que se banaliza o emprego de milhares de pessoas, temos a possibilidade de instalação de uma central de comunicação totalmente computadorizada e pensante, podendo ser trocados milhares de postos de trabalho por um software e supercomputador. Na parte de vigilância, citamos outro exemplo, câmeras e cachorros ocupam postos de trabalho e toda uma categoria de vigilantes passa a ser substituída. Os exemplos não param por ai, são inúmeros.

Portanto, esta atitude das autoridades do trabalho precisa ser freada e repensada, na verdade deve ser cobrado deles uma maior visão de sociedade e de País, levantando os olhos do próprio umbigo e entendendo que tal atitude em nada contribui para o desenvolvimento da nossa nação, ao contrário, é um desserviço e torna o nosso Brasil uma terra de muro baixo, que nada se resolve no planejamento e nem no diálogo, mas apenas na força muitas vezes desproporcional. O remédio de tão amargo termina por matar o paciente.

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O desemprego tecnológico e os cortadores de cana.

Escrito por Marcos Alencar | Novembro 14, 2011

A Rede Globo está de parabéns pela realização desta reportagem do Globo Rural. São 16 minutos de muita informação, dando uma visão imparcial do momento que estamos vivenciando neste setor. Temos o enfoque trabalhista, ambiental, tecnológico. O prazo para acabar com o corte manual da cana em áreas mecanizáveis tem como meta 2014, ou seja, daqui a 3 anos. Será que a profissão do cortador de cana vai desaparecer? Será substituído pelas cortadeiras mecanizadas, que uma só substitui a mão de obra de 80 trabalhadores? Sabemos que as máquinas não tiram férias, não adoecem, não trabalham horas extras, não fazem greve, etc. isso é um tremendo atrativo às Usinas. Qual o rescaldo social de tudo isso? De imediato, temos o desemprego. Muitos trabalhadores desqualificados (que não sabem ler e nem escrever, pex.) ficam marginalizados, à margem do mercado de trabalho, sem ter para onde ir. Nasceram e se criaram nos canaviais, sem chance de aprender outros ofícios. E o que fazer? Dar o peixe fresco ou ensiná-los a pescar? Não há dúvida que ao invés do “ouro” temos que proporcionar o “aprendizado” e a “sabedoria”. Isso requer maior trabalho, mais persistência, pois sustentá-los é mais fácil do que ensiná-los a trabalhar em outros ramos e atividades. É correto afirmar que as Usinas estão crescendo as áreas de plantio e absorvendo uma parte significativa nos setores mecânico, agrícola, de operação da máquina, enfim. Mas, a realidade é que muitos vão sobrar. Se esquecermos dos desempregados incapacitados, por um instante, percebemos que a mecanização é correta. Há lucros imediatos, retirando os cortadores de um trabalho considerado penoso. Abrimos aqui um parênteses para criticar os que tratam essa profissão como condição análoga a trabalho escravo, quando não é. A penosidade daqui é similar da Construção Civil, etc.. Retomando, os lucros na questão ambiental e de produtividade, também são muito positivos. Em resumo, percebo que estamos no caminho certo. Na reportagem, existe a ressalva de que considerável gama de trabalhadores vem de outros Estados, migram na busca de trabalho canavieiro, porque a sazonalidade do serviço em São Paulo diverge de outras regiões de cana, a exemplo do Nordeste. Porém, mesmo para estes existe um programa embrionário de desvio dessa massa trabalhadora para Cooperativas, no trato agrícola de frutas, hortaliças, calçados, panificação, etc.. Imagino eu no lugar de um trabalhador desses, que cresceu no canavial e não sabe ler e escrever, confesso que estaria desesperado, sem uma visão nítida do amanhã. Temos que pensar aqui que essas pessoas possui filhos, cônjuge, compromissos antes assumidos. É muita gente desempregada que precisa ser orientada para outros segmentos. Eu penso que temos que fazer um mix, dando um pouco de “peixe”, e, mantê-los, por uma determinada época (uns 12 meses) frequentando cursos de aperfeiçoamento, visando liberá-los após e permitir que eles aprendam a exercer outras atividades, sem permitirmos um vácuo de desamparo social. Conforme conclui a reportagem, temos que aproveitar o bom momento do Nordeste, que sofre com a falta de mão de obra, principalmente, àquela relacionada com o chão de fábrica. Temos estaleiros, fábrica de automóveis, indústria de auto peças se instalando aqui, portanto, é a hora desse pessoal ser capacitado e buscar – inclusive – noutras regiões, uma profissão melhor, menos penosa, que os realize como pessoa e cidadão. Vamos torcer. Clique aqui para assistir o vídeo >>  Rede Globo. http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2011/11/corte-manual-da-cana-deve-ser-substituido-por-maquinas-ate-2014.html

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O supermercado sem empregados caixas.

Escrito por Marcos Alencar | Agosto 28, 2010

O SUPERMERCADO SEM EMPREGADOS NO CAIXA.

Olá,

A notícia de hoje não é boa, principalmente para um País como o nosso que precisa manter o ritmo da geração de empregos. Digo isso em relação aos supermercadistas. Estou em Edinburgh, capital da Escócia, me deparei com um grande supermercado na rua do meu Hotel, com pouquíssimos caixas, na verdade, apenas 2(dois). A rede faz uma experiência, de estimular que o cliente apanhe os produtos nas gôndolas e ele mesmo passe-os nos caixas automáticos, inserindo o cartão de crédito ou de débito em seguida, também numa máquina, pagando a compra. Ele próprio embala e vai embora. Todo o procedimento é acompanhado por uma câmera e os produtos possuem uma etiqueta magnética que se não forem passados no leitor ótico, haverá alerta na saída do supermercado caso o pagamento não aconteça. Isso é a prova inconteste do desemprego tecnológico, um vilão que ronda a vida de muitos trabalhadores. Muitos defendem que não, que isso gera mais negócios e empregos, que foi assim quando da revolução industrial e que será novamente. Bem, o tempo é o senhor das coisas, só teremos a certeza do que haverá no futuro quando ele chegar, o fato é que aqui na Europa não existe “empregada doméstica”, nem “frentista de posto”, agora será a vez dos “caixas de supermercado” e por ai vai. O Brasil precisa se antecipar a tudo isso, tornando o contrato de trabalho mais sedutor e atraente para que os empresários prefiram as pessoas do que as máquinas.

Sds Marcos Alencar

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Desemprego tecnológico em expansão.

Escrito por Marcos Alencar | Janeiro 14, 2010

Desemprego tecnológico em expansão

Prezados Leitores,

Foi notícia no GLOBO PONTO COM  “Universidade mineira desenvolve carro que anda sem motorista”.  Imagine daqui alguns anos, termos a profissão do taxista, motoristas de carga,  extinta por uma inovação dessas. Duvida? Pense quantos vigias, porteiros, não deixaram de existir no mercado de trabalho por causa das câmeras e sistemas de vigilância eletrônica? O vilão “do desemprego tecnológico” está cada dia mais presente nas nossas vidas.

Segundo os especialistas americanos, para combater o “desemprego tecnológico”, só há uma saída: investir maciçamente nas empresas de pequeno porte, pois são elas, as micro e pequenas empresas, as que mais empregam e as que menos demitem, além de serem mais constantes às variações da economia, por exemplo. Para que isso se materialize em investimentos e criação de novas empresas e, por conseqüência, empregos, é preciso que o Governo Federal crie regras bastante atrativas e duradouras, seguras, porque sem um ambiente propício e sedutor, corre-se o risco de reduzir a jornada de trabalho, o número de empresas, consequentemente mais postos de trabalho, pois os empregadores que podem, as fecham e passam a ser mais um investidor no atrativo mercado financeiro, ganha-se mais, tem-se uma melhor qualidade de vida e infelizmente, gera-se menos empregos.

Sds Marcos Alencar.

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CBN. Entrevista: Projetos de Lei relacionados ao trabalhismo para 2010.

Escrito por Marcos Alencar | Janeiro 3, 2010

PROJETOS DE LEI RELACIONADOS AO TRABALHISMO PARA 2010.

 

 

Prezados Leitores,

Abaixo transcrição entrevista ao vivo cbn Recife de 02.01.2010 às 10h45, que transcrevemos. O tema foi geral, a respeito de impressões sobre o que pode ser alterado na lei trabalhista e no trabalhismo nacional como um todo.

1 MN – No trabalhismo em debate, hoje excepcionalmente no sábado, vamos esclarecer sobre as mudanças que podem ocorrer na legislação trabalhista no ano de 2010. Do outro lado da linha estamos com MARCOS ALENCAR. 

 2 MN – Feliz ano novo e bom dia Marcos Alencar!

 MA – Bom dia Mário, um Feliz Ano novo para todos!

 3 MN – Marcos, com a chegada de 2010 o que é que podemos considerar de mudanças em 2010 na legislação trabalhista?

 MA – Mário, eu acho que teremos muitas mudanças. Antes de falar delas propriamente, esclareço que esse meu sentimento tem fundamento no fato de que a economia está crescendo, o novo salário mínimo (510) vai dar mais um impulso no consumo, a representação política dos trabalhadores está bem orquestrada, e também estamos num ano político. Diante desse quadro, será provável que muita coisa mude em 2010.

 4 MN – Certo, mas diante desse quadro quais as mudanças que podemos ter de mais significativo no cenário nacional?

 MA – Vamos lá, imagino que pode ir à votação e quem sabe em ser aprovado: A redução da jornada de trabalho (de 44h para 40h semanais); A alteração na lei do empregado doméstico (para conceder FGTS obrigatório e horas extras); A regulamentação de algumas profissões, a exemplo da dos motoristas, da diarista, do acompanhante de idoso; e a tão temida estabilidade no emprego prevista na convenção 158 da OIT; Haverá também alteração das normas regulamentadoras de medicina e segurança do trabalho (a exemplo FAP); E a desoneração da folha de pagamento, que baixa o custo dos encargos progressivamente.

 5 MN – Mas Marcos será que teremos deputados dispostos a votar tudo isso?

 MA – Mário, o detalhe dessas previsões é que todos esses projetos estão em curso, na agulha, não é algo que vai começar e terminar em 2010, já vem rolando há muito tempo. 

 6 MN – Dentre essas que Você citou o que pode trazer maior impacto para o dia a dia das empresas?

 MA – Sem medo de errar, é a redução da jornada de 44h para 40, porque a proposta é de se manter inalterado o salário, e a estabilidade da 158 da OIT, que já foi antes votada e não passou, mas pode de novo ser proposta e votada, e isso impede a demissão sem justa causa, as empresas só poderão demitir por justa causa, será uma mudança radical no dia a dia das relações trabalhistas. E de positivo a redução tão sonhada dos encargos sobre a folha.

 7 MN – E o novo salário mínimo de R$510,00 vai dar para os empregadores pagar ou pode gerar desemprego?

 MA – Nesse primeiro momento, pode ser que gere desemprego no âmbito do emprego doméstico, porque muitos empregadores podem reduzir essa despesa contratando uma diarista, comprando máquina de lavar pratos, etc… Mas mesmo assim será pequeno, porque o mercado ainda é carente dessa mão de obra. O que eu vejo Mário também quando o salário mínimo sobe, é um custo de serviços, que muitos calculam em salários mínimos, apesar da lei proibir que ele sirva de indexação, mas muitos se baseiam nele para fixar seus preços. Um corte de cabelo pode subir de preço por conta disso, etc..

 8 MN – E dessas mudanças, qual é a mais certa de acontecer em 2010?

 MA – A das domésticas, será votada a jornada de trabalho e o FGTS obrigatório, acho que em 2010 isso se define. Quanto a redução da jornada eu também vejo como de altíssima probabilidade que se vote.

 9 MN – Em ambas as mudanças, quanto ao custo, Você acha isso suportável por quem emprega ou pode causar desemprego?

 MA – Bem, quanto as domésticas se passar a jornada de trabalho e o FGTS, isso vai complicar o contrato de trabalho, sem contar que vai torná-lo muito mais caro, porque uma doméstica trabalha em média por 10/12h por dia e muitos podem não conseguir pagar e nesse caso sim premiarmos parte dessas trabalhadoras e outras ficarem sem emprego e com dificuldade de encaixe no mercado de trabalho, pela falta de uma maior profissionalização. A redução da jornada pode ser bem absorvida, porque a economia está crescendo no Brasil, tudo é festa, 2010 é um ano muito promissor, desde que me recordo de previsões econômicas não tivemos um ano tão festejado. Porém, lá na frente, pode reduzir sim a capacidade de competição das empresas, porque o custo aumenta e pode causar desemprego tecnológico, a troca de um trabalhador por uma máquina.

 10 MN – E o que vem a ser desemprego tecnológico?

 MA – Mário, como você sabe eu vim passar natal e ano aqui nos estados unidos, ontem ao abastecer o carro que aluguei aqui fiquei impressionado porque era dia 1, o posto estava fechado, mas as bombas funcionando. Passei o meu cartão do banco na bomba, escolhi a opção debito, digitei minha senha, escolhi o combustível, ao final do abastecimento a máquina perguntou se eu queria recibo, disse que sim, imprimiu, e ainda se eu aceitaria uma lavagem de cortesia, também numa outra máquina. Isso tudo sem nenhum empregado no posto. Porque isso existe aqui? Porque o custo de se ter a máquina está valendo a pena. No Brasil existe uma lei que proíbe que o cidadão, ele próprio abasteça o seu carro, mas se não fosse isso, quantos e quantos frentistas não estariam desempregados? Isso é um exemplo clássico de desemprego tecnológico. Por conta disso, que sempre alerto para que se analise todos os prós e contras de uma mudança na lei trabalhista, para que sempre se busque o objetivo de tornar o emprego atraente para quem emprega, e vantajoso para quem trabalha, porque se ficar muito caro ter o empregado, em muitos casos o empregador troca ele por uma máquina, e isso é terrível, eu sei de perto o que é o desemprego numa família, pela minha profissão, vejo o quanto desagrega, é algo de grandes proporções. Cabe ao governo abrir mão de tanto encargo sobre a folha de pagamento e deixar que o mercado trabalhe.

Sds MarcosAlencar

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Robô humanóide. Trabalhador do futuro?

Escrito por Marcos Alencar | Março 6, 2009

Prezados Leitores,

Se não bastasse as péssimas notícas do forte índice de desemprego por todo o Mundo, surge na Cebit [ feita de tecnologia na Alemanha, Hannover ] um robô em exibição, humanóide, que serve chá para os visitantes.

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Projeto que reduz jornada e mantém salário segue em frente!

Escrito por Marcos Alencar | Dezembro 11, 2008

A PEC 231/1995 [ proposta de emenda constitucional ] segue a pleno vapor na Câmara dos Deputados, sendo apreciada por uma comissão especial. A mudança que se propõe, sem alterar o valor do salário, é reduzir a jornada semanal para 40h, manter a carga diária de 8h, e aumentar o adicional de horas extras de 50% para 75%.

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