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O TRABALHISMO BRASILEIRO SEM O MINISTÉRIO DO TRABALHO II

Escrito por Marcos Alencar | Dezembro 4, 2018

Por Marcos Alencar em 04/12/18

Este post é uma continuação do anterior, sobre o mesmo assunto, escrito em 08/11/18.

O Presidente Eleito Jair Bolsonaro bateu o martelo e disse ontem, através do Ministro Onix – que vai extinguir o Ministério do Trabalho, separando-o em 3 ministérios, o da Justiça, da Economia e da Cidadania. Se no artigo de 08/11/18 eu aponto uma infinidade de questionamentos que recebi, através de ligações, grupos de whatsapp e e-mails, na data vênia de ontem essa quantidade dobrou e acredito que isso se deu porque eu fui e continuo sendo a favor da escolha do atual Governo para conduzir o País pelos próximos 4 anos.

Fiz um resumo das principais perguntas que me foram feitas ao longo do dia e segue para cada uma delas a minha oficial resposta:

1 POR QUE A SUA POSIÇÃO É CONTRÁRIA A EXTINÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO?

R – Entendo que um País com 14 milhões de desempregados, não pode abrir mão de um ministério quase centenário e que congrega um orçamento de mais de 70 bilhões com inúmeras atividades que são realizadas, por conta da legislação trabalhista. No Brasil, o eleitor clamou nas urnas por: Segurança, emprego, economia estável e saúde pública. Foram estes quatro pilares que elegeram o Jair Bolsonaro. Portanto, vejo como um equívoco colocarmos a questão do emprego, leia-se Ministério do Trabalho, em segundo plano e no nível de secretaria. O problema atinge 50 milhões de brasileiros (se considerarmos 3 pessoas vinculadas aos 14 milhões de desempregados), logo, precisamos de um Ministro forte e que tenha acesso ao Presidente. A partir do momento que se divide, se esfacela o Ministério, perde-se a força e importância. O “emprego” fica sem um síndico, sem uma pessoa responsável por ele. O Brasil possui uma legislação trabalhista, certa ou errada, única e cheia de particularidades e nuances. Dessa forma, não podemos aceitar que um Ministério tão importante, deixe de existir e passe a ser cuidado por pessoas inabilitadas e que ele esteja posto num segundo plano. O Presidente Eleito vem acertando nos demais Ministérios – na minha concepção – porque tem nomeado pessoas especializadas e técnicas para cada pasta. O pior dos mundos é a repartição do Ministério do Trabalho, porque ele ficará sem rumo e sem um comandante. Se a decisão é no sentido de não mais existir o Ministério do Trabalho, a minha sugestão – alternativa – seria a de colocá-lo no nível de secretaria do trabalho e vinculado ao Ministro da Justiça, sob o comando do Sérgio Moro. Pelo menos, teríamos alguém vinculado ao Judiciário comandando – de longe – a pasta do trabalho. Em síntese, vejo como um erro estratégico.

2 A SUA DEFESA NÃO VISA RESGUARDAR O PRÓPRIO PEIXE, AO PRETENDER MANTER ESTE MINISTÉRIO INALTERADO?

R – Para um leigo pode aparentar isso, porque o trabalhismo brasileiro é bastante complexo. Na realidade, não. Não sou funcionário público e nem dependo de nenhum ente do Governo para sobreviver. Ao contrário, nós operadores do direito recebemos maiores rendimentos, quando a regra muda e a confusão ressurge. Eu defendo a mudança interna do Ministério do Trabalho, o emagrecimento, o desaparelhamento político de esquerda, a revisão e cancelamento de muitas portarias (a exemplo da 1510/09 do relógio de ponto eletrônico, que engessa o desenvolvimento de ferramentas de controle de ponto, etc.) do fim do manual do trabalho escravo, que já critiquei severamente aqui e é uma falácia, etc., etc., etc., da mesma forma que o Presidente Eleito disse que vai fazer na educação. Do mesmo jeito que ele defende a bandeira do ensino sem partido, eu defendo a existência do Ministério do trabalho (magro, eficiente, ajudando ao empregador e ao empregado a se entenderem) sem partidarismo e sem esquerdopatia. O Ministério do Trabalho é muito forte e pode ser usado para políticas do bem, para implementar campanhas de crescimento do emprego, de estímulo aos empregadores. Na medida que se extingue o mesmo, perde-se todo este poder de alterar as regras do jogo. Eu comparo o Ministério do Trabalho como uma excelente aeronave, que precisa trocar a tripulação, apenas isso.

3 NA SUA CONCEPÇÃO, O PRESIDENTE ELEITO PODE FAZER ISSO?

R – Pode sim. A Constituição Federal de 1988 assegura ao Presidente da República a criação e extinção dos Ministérios e equipe. Não vejo nenhuma ilegalidade nisso. O que lamento, apenas, é que haverá um equívoco estratégico em termos de condução do problema do desemprego no País.

4 COM ESSA EXTINÇÃO, A FISCALIZAÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E OS DEMAIS PROGRAMAS (APRENDIZAGEM, MEDIAÇÃO, ETC) SERÃO PREJUDICADOS?

R – Creio que sim, porque não teremos um Ministro comandando as ações e demais diretrizes. Os Ministérios para os quais 1/3 do Ministério do Trabalho será re-locado, vamos chamar assim, terão outras prioridades. A partir do momento que estes programas não fazem parte da agenda de um Ministro, evidente que estarão em segundo plano, em termos de prioridade e importância.

5 NA SUA CONCEPÇÃO, HAVERIA ALGUMA MUDANÇA A SUGERIR OU DEVERIA SER MANTIDO O MINISTÉRIO DO TRABALHO DO MESMO JEITO QUE VINHA ANTES?

R – Eu sempre critiquei o Ministério do Trabalho, desde que atuo no direito do trabalho. O Blog ano que vem completará 15 anos. Se lido os meus artigos, são críticos e ferrenhos contra a condução ideológica de esquerda assistencialista e protecionista a favor dos trabalhadores. Sempre bati na tecla de que isso não gerava empregos e sim um desserviço à nação brasileira. Logo, eu revisaria por completo a estrutura do Ministério do Trabalho, a começar por nomear um Ministro técnico em isento, apolítico, que entendesse de mercado de trabalho e de legislação trabalhista (para não cometer atos ilegais). Em seguida, revisaria todas a legislação interna do Ministério, portarias, etc. Acabaria com o ranço ideológico de esquerda, extirpando as normas (inclusive as regulamentadoras, que não se baseiam em nenhum critério técnico, para criar regras absurdas e sem qualquer utilidade prática – leia o manual de combate ao trabalho escravo e entenderá o que estou dizendo). Criaria um núcleo de estímulo ao empregador, para acolher os empregadores, novos empreendedores, visando quebrar o rótulo de que o Ministério do Trabalho persegue quem emprega. Um ponto que trabalharia para mudar com urgência, a aplicação das multas administrativas, impondo a dupla visita com apenas simples advertência. O empregador seria multado somente na terceira visita. Aumentaria o desconto, atual de 50% para 70%, rebaixando o peso das multas. Criaria um conselho para julgamento dos autos de infração, com entes de outras áreas do governo e inclusive de membros indicados pela OAB, para impedir a manipulação ideológica dos julgamentos. Ou seja, muito terá que ser feito, mas com o Ministério do Trabalho como Ministério.

6 QUAL A REAL MOTIVAÇÃO DO PRESIDENTE ELEITO EM EXTINGUIR O MINISTÉRIO DO TRABALHO, RACIONALIZAR A QUANTIDADE DE MINISTÉRIOS OU PREJUDICAR A CLASSE DOS TRABALHADORES?

R – Nem uma e nem outra razão ora apontada, eu vejo como uma forma de aniquilar um foco de esquerda do País. Concordo plenamente quando Bolsonaro afirma que a esquerda aparelhou o Ministério do Trabalho. Basta conhecer de perto para se dar razão a ele. Mas, é como eu expliquei antes, a aeronave é boa e necessária, precisamos apenas trocar a tripulação. Se por no comando do Ministério do Trabalho, uma equipe apolítica e que realmente trate da questão trabalhista com equilíbrio e razão, sem perseguir ninguém, teremos excelentes resultados.

7 QUEM SERIA A PESSOA INDICADA, NA SUA OPINIÃO, COMO MINISTRO DO TRABALHO? VOCÊ CONCORDA COM O RELATOR DA REFORMA TRABALHISTA?

R – Eu teria que pensar com mais profundidade no assunto, um nome que me vem a cabeça, agora, seria o do Professor José Pastore, pois ele entende tudo sobre o trabalhismo brasileiro e não faz parte da corrente de esquerda. É um desenvolvimentista, pois defende a empresa como geradora de empregos e não a criação de empregos por decreto. Um outro nome de peso, o Ministro Ives Gandra, que tem o pensamento na mesma linha e foi um defensor da Reforma Trabalhista. Quanto ao relator da Reforma Trabalhista, não vejo como a melhor opção, porque ele não tem a vivência histórica e nem interlocução – na minha opinião – ao nível do Professor Pastore e nem do Ministro Ives.

8 OS EMPRESÁRIOS ESTÃO COMEMORANDO A EXTINÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO, PORQUE ENTENDEM QUE TERÃO MAIS LIBERDADE NOS SEUS NEGÓCIOS, HÁ O QUE SER COMEMORADO?

R – O empresariado com razão, não agüenta mais ser tão fiscalizado e perseguido literalmente pelas normas internas do Ministério do Trabalho. As multas são altíssimas e a tolerância, em regra, da fiscalização é igual a zero. Esse é o cenário, na minha opinião e pela convivência de perto. Na medida em que um empregador recebe a notícia de que o Ministério do Trabalho não existe mais, ele tem a sensação de que os seus problemas com a fiscalização estão resolvidos. Da mesma forma, o empregado, passa a se sentir desamparado. Porém, isso pode ser – para ambas as sensações, sentimentos irreais. Imagine se o Sérgio Moro passa a conduzir a fiscalização do trabalho e aplicação das multas? Eu sempre o critiquei como Juiz, por entender que ela agia de forma arbitrária e queimando etapas, cerceando a ampla defesa, etc. Logo, não temos como ter uma certeza do que acontecerá, pode ser que sim, que o Ministério deixe de executar o seu papel de órgão fiscalizador e pode, em contrapartida, isso ser aumentado.

9 OS TRABALHADORES ESTÃO COM RECEIO DESSA EXTINÇÃO, ACREDITAM QUE TERÃO MENOR REPRESENTATIVIDADE NO NOVO GOVERNO, VOCÊ PENSA DA MESMA FORMA?

R – Eu sinceramente não vejo o Presidente Eleito como alguém que defende A ou B. Vejo como um antipetista (que eu também sou) que quer arrumar a casa, usando de regras pragmáticas e justas, baseado na lei e no patriotismo, sem corrupção, sem toma lá da cá, enfim. Evidente que, o trabalhador passou a vida contando com o Ministério do Trabalho como um defensor seu e que a falta dele trará uma sensação de desamparo, mas não acredito que esta seja a real motivação da extinção do Ministério.

10 QUAL O SEU CONSELHO AO PRESIDENTE ELEITO?

R – Presidente Jair, mantenha o Ministério e coloque no comando dele um técnico, sério e comprometido com o crescimento do País e com a defesa do empreendedorismo. Emprego é acessório, mas precisamos ter um Ministério cuidando de toda uma gama de políticas para geração de emprego e renda. O Professor Pastore, é um ícone e pode ajudar e muito na reestruturação desse Ministério, fazendo toda uma revisão no seu organograma, emagrecendo-o e abolindo dos seus anais toda a legislação gerada por ele Ministério, baseada em conceitos ideológicos de esquerda, como citei antes. Se isso não for possível, que pelo menos não divida o Ministério. Transfira ele para o Ministério da Justiça e o re-nomeie como Secretaria do Trabalho e Emprego, permitindo que o que existe de bom se aproveite pelo então Secretário. Este meu conselho, visa um Brasil melhor, com mais emprego e renda, porque o Ministro da Economia precisará de orientação trabalhista na medida em que for adotando as novas diretrizes ao País.

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O TRABALHISMO BRASILEIRO SEM O MINISTÉRIO DO TRABALHO.

Escrito por Marcos Alencar | Novembro 8, 2018

Por Marcos Alencar 08/11/18.

Ontem, quarta-feira 07/11/18, recebi uma quantidade enorme de mensagens me questionando a sobre o “oficioso” anúncio do Presidente eleito, Jair Bolsonaro, a respeito do fim do Ministério do Trabalho. Por isso, resolvi escrever – precipitadamente – este “post”.

Digo precipitadamente, porque não conhecemos ainda o desenho da composição ministerial do futuro governo e por tal razão vejo qualquer comentário, a esta altura, como puro palpite. É muito ruim ter que opinar por “achismo”.

Para não ser acusado de omisso e tornar mais prática a minha posição quanto a isso em relação aos meus leitores (e críticos, grande parte (risos!))entendo que:

1 Psicologicamente a notícia é ruim. Entendo que num País com 14 milhões de desempregados e com a empregabilidade frágil como é a nossa, é importante termos um Ministro e um Ministério do Trabalho. Entendo que Ministro bate na porta do Presidente da República e resolve as coisas com maior prestígio. Logo, concordando com a visão do novo governo que precisamos erradicar da máquina pública essa filosofia doentia da esquerda protecionista (e comunista, porque não) eu defendo a manutenção do Ministério com um Ministro imparcial e que olhe para o mercado de trabalho de forma equilibrada e sem defesa de “A” ou “B”. Quem defende o lado mais fraco da relação de emprego e de trabalho, é a própria lei, não precisando o trabalhador de apadrinhamento. Em síntese, o meu Conselho – caso pudesse dar ao Presidente Eleito, seria de manutenção da pasta, pelo menos até termos números aceitáveis de empregabilidade.

2 O fim do Ministério do Trabalho não tem nada a ver com os boatos do “também” fim da Justiça do Trabalho. O primeiro pertence ao Poder Executivo e por isso o Presidente da República pode extingui-lo numa canetada. Quanto ao segundo, a Justiça do Trabalho, esta pertence ao Poder Judiciário e esta prevista a sua existência no art. 92, Capítulo III da Constituição Federal de 1988, em diante. Dessa forma, o Presidente não tem poder de criar ou extinguir órgão da Justiça.

3 Tendo ou não Ministro do Trabalho, o fato é que o atual Ministério do Trabalho se paga. Eu afirmo isso, porque a atuação da Fiscalização do Trabalho vem sendo de forma exemplar, não fazendo mais por falta de estrutura (veículos, computadores, celulares, prédios, etc). Os Governos anteriores, inclusive do Partido dos Trabalhadores, por incrível que pareça – literalmente – sucateou o Ministério do Trabalho. A estrutura é caótica. Sugiro aos que duvidam, que visitem as instalações do Ministério do Trabalho da sua localidade e vejam com os próprios olhos e sem maior dificuldade a tragédia que é a estrutura desse importante órgão. Pois bem, a fiscalização através dos AFT (Auditores Fiscais do Trabalho) é bastante atuante e não existe registro significativo de corrupção, mas ao contrário, o que se reclama é de um forte rigor por parte dos Auditores. A quantidade de multas lavradas e cobradas através dos órgãos administrativos e Justiças Federal e do Trabalho, exemplifica isso que eu cito aqui, que o Ministério se paga, frente ao que ele arrecada e combate em termos de sonegação previdenciária e trabalhista. Temos ainda programas importantes, como o seguro desemprego, dentre outros, que são conduzidos pelo atual Ministério. Desse modo, não vejo como demover todo um aparato, por mais decadente que seja, e, nada de significativo ocupar o seu lugar.

4 O palpite, caso o Presidente Eleito mantenha o “teste” – digo “teste” porque ele se mostra assim, lança uma intenção e escuta a repercussão (isso ocorreu esta semana passada com a proposta de fusão dos ministérios da agricultura e do meio ambiente, que ele voltou atrás porque a reação (até dos aliados) foi contrária). Então, se mantido o fim do Ministério do Trabalho, entendo que não será o fim do mundo, porque temos toda a estrutura de fiscalização, os programas sociais (a exemplo do seguro desemprego, por ser previsto em Lei) e isso não tem como ser abolido. O que poderá ocorrer será a migração desta “pasta do trabalho” para debaixo do guarda chuva do Ministério da Justiça (futuro Min. Sérgio Moro) e com isso atender a economia de custos ministeriais. A condução passaria para um secretário do trabalho a rotina de fiscalização, mediação, dentre outras, seria mantida assim – meu palpite.

5 Não podemos esquecer que o Poder Judiciário não se subordina a estrutura do Poder Executivo e que o Direito do Trabalho, que desde a Constituição Federal de 1988 foi içado ao grau maior, ou seja, para a hierarquia constitucional. Por tal razão, temos uma Justiça e direitos independentes da intenção e vontade do Poder Executivo e do Presidente da República. Em paralelo, existe ainda toda a estrutura do Ministério Público do Trabalho, que é um órgão fiscalizador (dentro do Poder Judiciário) que se confunde em muitas das coisas com o Ministério do Trabalho e que agora, neste novo governo, pode ser que tenhamos uma melhor definição em termos de missão e de competências – de um e outro órgão.