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O SUCATEAMENTO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

Escrito por Marcos Alencar | Fevereiro 16, 2016

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Por Marcos Alencar (16/02/16)

O título deste “post” não é sensacionalista e nem polêmico, infelizmente traduz uma realidade que estamos vivenciando e que está sendo anunciada pelos próprios Tribunais do Trabalho.

Como já frisei aqui em outros artigos, eu vivencio a Justiça do Trabalho desde os idos de 1980, para ser mais preciso desde o ano de 1982. Nunca me deparei com tão crítica situação e tamanha inércia dos seus gestores, da sociedade, da nossa OAB, do tão aguerrido MPT e sem contar a gravíssima omissão dos Sindicatos de Classe e Patronais.

O fato é que a Justiça do Trabalho estancou nas capitais e anuncia a sua paralisação, pouco se importando com a demanda que bate todos os dias à sua porta. Pelo que está sendo anunciado, não existe verba para garantir nem o funcionamento precário da estrutura que tínhamos antes (em termos de instalações, quantidade de servidores e magistrados, modernização de equipamentos, etc).

O reflexo disso são as execuções literalmente travadas e as pautas de audiências sendo designadas para mais de 18 meses na frente, com crescimento vertiginoso, havendo localidades (Recife, Pe, por exemplo) designando as instruções processuais para os anos de 2017 e 2018. O trabalhador que precisa de uma medida urgente perante o Judiciário Trabalhista, está fadado ao grande insucesso e a morte jurídica.

Não podemos culpar os servidores e nem magistrados por tudo isso, pois estes continuam fazendo das tripas coração sendo tripulantes de uma aeronave que está à deriva e que eles, bem ou mal, mantém a mesma numa certa velocidade de cruzeiro. Há uma certa culpa, no meu entender, das presidências, de quem faz a gestão dos Tribunais, porque se omitiu em adotar providências enérgicas contra esta desmobilização judiciária.

O Governo Federal que se diz do partido de quem trabalha, é cínico e dissimulado, sendo o grande vilão disso tudo – pois ocupa o poder há mais de uma década e a reforma trabalhista sequer foi tratada no papel. Ao contrário disso, o Governo é o responsável por sucatear o único lugar – no ordenamento jurídico brasileiro – que quem trabalha e quem emprega, podem resolver com certa segurança, os seus conflitos.

O cinismo governamental vem do fato de que não existe vontade política de quem governa de criar mecanismos de quitação de direitos fora da Justiça do Trabalho, tudo tem que ser centralizado na mesma e ao mesmo tempo não proporciona nenhuma estrutura que possa suportar esta demanda (que só aumenta). A postura é baseada numa falsidade sem tamanho.

Se fizermos outro comparativo, é como se o Governo proibisse plano de saúde no País e hospitais privados e determinasse que todos os brasileiros fossem atendidos pela rede pública de saúde, ao mesmo tempo em que determinasse que a verba dos SUS fosse reduzida pela metade. O paciente (que é o reclamante) está perdido, totalmente abandonado, porque não há fluxo de atendimento capaz de solucionar a sua demanda nem com demora.

Temos que registrar que existe uma gravíssima omissão, quanto a este sucateamento velado do Poder Judiciário Trabalhista, por parte dos Sindicatos de Classe, pois a pessoa do trabalhador (que é o mais fraco) é a mais atingida e eles nada estão fazendo. Há uma acomodação ideológica de não bater no Governo.

O Ministério Público do Trabalho, que se arvora de defensor dos fracos e oprimidos, idem, omisso e calado diante de tudo isso que está ocorrendo, nenhuma manifestação crítica sequer e nem providências para que a estrutura dos Tribunais seja mantida, pois o mais atingido é a coletividade dos trabalhadores brasileiros.

Para engrossar o rol dos omissos, temos também a Ordem dos Advogados do Brasil, que já deveria ter se pronunciado e juntamente com as Associações dos Magistrados Trabalhistas ter acionado o Governo Federal judicialmente.

A classe política idem, estão mais preocupados com os holofotes das operações policialescas e repito, deveriam aproveitar o momento para uma reforma na estrutura judicial trabalhista, mas isso é pedir demais para quem está tão preocupado com seu próprio bolso e com as campanhas políticas que estão por vir.

Portanto, cabe a nós sociedade reverberarmos tudo isso e exigirmos que o Governo, Ministério Público do Trabalho, Associações dos Magistrados, também dos Servidores Públicos, a OAB, e o Congresso Nacional, se unam para solucionar tão grave problema.

Ontem eu li em dois jornais regionais que presidentes de Tribunais pretendem parar o funcionamento dos mesmos por falta de verbas, falta mais o que? pois no meu modesto entendimento a luz vermelha já está acessa, pois isso nunca houve na história do Brasil.

Para não deixar o grave problema sem um palpite de solução, renovo o meu entendimento quanto a modernização das relações trabalhistas no País e processuais também, sugerindo:

– Reforma Trabalhista já, com flexibilização de direitos para quem ganha acima de determinado número de salários mínimos.

– Aumento da autonomia da vontade, do trabalhador, para que o que assine tenha valor como quitação de direitos (fim do princípio da infantilidade).

– O Código de Processo do Trabalho, pois o processo precisa ter um rito mais enxuto e econômico, não vejo necessidade de termos audiência inicial e de razões finais, por exemplo. A possibilidade de quitação plena de direitos, perante a homologação sindical, aos trabalhadores com nível superior e com rendimentos acima de determinado patamar do mínimo legal, permitindo a diminuição de litígios.

– O aumento do valor das custas processuais. Deve ser revisto o critério da justiça gratuita, que hoje é muito amplo, devendo o trabalhador mais abastado pagar custas. O valor das custas de 2% é baixo e pode ser aumentado, desde que seja usada no próprio tribunal de origem da demanda.

– O pagamento de parte do INSS que se arrecada nos acordos trabalhistas, em prol do sustento da estrutura judiciária trabalhista.

– Uma gestão centralizada dos Tribunais, pois pretender que cada região administre a sede dos TRTs – já está provado que não funciona. A uniformização do PJE foi uma grande conquista e deve ser inspirador para que haja uma uniformidade de instalações dos Tribunais Regionais no País. O CNJ seria o grande gestor das estruturas.

Enfim, muito há o que se pensar para que se torne a Justiça do Trabalho mais célere, mais enxuta do ponto de vista do seu custo operacional, mas……… não vejo nada de concreto sendo feito.

Fica o alerta.