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A queda do nível de empregos e a reforma trabalhista.

Escrito por Marcos Alencar | Outubro 15, 2014

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Por Marcos Alencar (16.10.14)

Não pretendo esgotar um tema de tamanha relevância num simples post. Da mesma forma, não quero dar ao meu comentário uma conotação político partidária, mas sim de responsabilização de toda a sociedade parlamentar e do judiciário também. Ora, não é de hoje que eu me posiciono no sentido de que a geração e crescimento do nível de emprego que vinha sendo anunciado pelo Ministro do Trabalho (Caged) era motivo de simples crescimento da economia e dos novos investimentos, principalmente na região nordeste. O “dever de casa” mais uma vez não foi feito.

Estamos desde a era Vargas regulando as relações de trabalho na Consolidação das Leis do Trabalho. A reforma trabalhista (tão esperada) não saiu nem do rascunho. O Brasil trilha um caminho equivocado e de ignorância trabalhista. Optou-se pelo regime assistencialista, no qual tudo deve ser suportado pela cadeia produtiva que emprega. As medidas e ações promovidas (culpo aqui a Justiça do Trabalho e também o Ministério do Trabalho e para coroar o Ministério Público do Trabalho) atuam na direção do dividir o bolo. A situação é mais ou menos assim: Temos uma galinha produzindo ovos e estes ovos são poucos. O ideal seria não comermos todos os ovos e deixarmos que uma nova galinha nascesse, no futuro teríamos ovos suficientes. Ao contrário disso, na fome de “dividir” logo o que não se tem, estes três órgãos e mais a inércia do Congresso e Governo Federal (tudo isso alinhado com os Sindicatos de Classe e Patronal – paralisados) geram a matança da galinha e a divisão em partes. Num primeiro momento, o banquete é para todos, mas até quando?

A atividade empresarial é a galinha que vem sendo morta e esquartejada diuturnamente para alimentar à todos, sem qualquer estudo ou meritocracia. Diante desse quadro (na contramão da história) temos este dado que surge na primeira queda do crescimento dos negócios, nos últimos 13 anos. A história se repete. O empresário ao sofrer o primeiro aperto, demite sem justa causa. Os assistencialistas (já antes nominados) de novo pretendem apertar o cerco nas demissões e impedi-las, o pensamento é de criar estabilidade no emprego, como se isso adiantasse alguma coisa. É mais um grave equívoco. Defendo que o ato de empregar deve ser encarado como um namoro. É um ato de sedução. O que faz a relação de emprego ser próspera e duradoura é o interesse comum estar sendo dia após dia alimentado. O empregado se sente bem com o salário recebido e o empregador tem a certeza de que ele se paga e gera lucros. É esse o caminho que deve ser buscado, que não é fácil.

Não existe almoço grátis!

O Brasil precisa tirar da gaveta o Código do Trabalho e o Código de Processo do Trabalho, acabar com essa centralização de que todos os direitos trabalhistas somente podem ser quitados na presença de um Juiz. A autonomia de quitar seus próprios direitos deve ser reconhecida com plenitude e por fim e um basta ao assistencialismo caquético. Na medida em que uma Vara do Trabalho designa uma audiência de instrução para fevereiro de 2016 em pleno outubro de 2014, é a prova de que o sistema está saturado e o caminho em evidente equívoco, pois se estivesse no rumo certo não haveria tanto litígio.

Fico decepcionado com todas as campanhas políticas, pois nenhuma delas enfrentou com maturidade o tema da reforma trabalhista. Não estou aqui defendendo a perda de direitos conquistados, mas a mudança de mentalidade. Não existe empresário burro ao ponto de deixar os seus negócios crescerem e empregar mais, sabendo que está sendo explorado. Por razões óbvias ele vai destinar os seus recursos para investimento em projetos que demandem baixa quantidade de mão de obra. Os bancos demonstram isso quando – cada vez mais contratam menos empregados – investem em máquinas e no conhecido internet banking. Máquinas não adoecem, não tiram férias e nem pedem aumento de salário, idem, não fazem greve. Uma pena que a mentalidade de muitos esteja tão cega e equivocada e que desprezem tantos exemplos bons que há no mundo desenvolvido, quando o trabalhador é realmente um colaborador e até sócio da empresa.