O perdão tácito, o imediatismo e as auditorias.

Escrito por Marcos Alencar   // novembro 26, 2011   // 0 Comentários

Não sou contra os auditores e entendo a complexidade dos números. Cada vez mais, as empresas dependem de capital externo. Isso é bom e ao mesmo tempo exige uma prestação de contas afiada. O investidor quer saber para onde e como está sendo aplicado o dinheiro dele. A mesma coisa, quanto a insegurança jurídica. Grandes grupos precisam provisionar créditos para enfrentar o custo Brasil que navega de vento em popa.

Mas o que isso tem a ver com o perdão tácito e imediatismo? Perdão tácito é o ato de se perdoar alguém, sem fazê-lo expressamente. O suposto ofendido não declara (por escrito e com veemência) que o suposto agressor está perdoado, mas, mantém-se em silêncio. O silêncio recai naquilo que conhecemos, do “quem cala consente”.

O ato de calar e não falar nada, equipara-se a perdoar de “papel passado”. O imediatismo, é uma reação que se exige para aplicação de qualquer punição pelo empregador ao empregado. Não se aceita guardar a memória de alguma falha do empregado e lá adiante, resgatar esse rancor e penaliza-lo. Ou se pune imediatamente (imediatismo) ao se ter ciência do ato faltoso, ou será considerado o “perdão tácito”.

Agora surge o arremate do nosso tema. Muitos empregadores demoram a apurar as fraudes, leva-se semanas e meses, para chegar a uma conclusão de quem foi culpado por tamanho descalabro. Nesse caminho de apuração, nada se registra perante os suspeitos pelo cometimento da fraude. Isso passa a ser entendido como “perdão tácito”, porque a ilicitude era evidente, a participação daquele empregado no problema, idem. Mesmo assim, o empregador demorou nas suas providências.

É verdade, que não podemos nos precipitar e acusar ninguém sem provas, ainda mais, nos casos em que envolve atos de improbidade. Porém, se vai apurar meticulosamente um fato ilícito no âmbito da empresa, tem o empregador a obrigação de dar notícia escrita disso. Os envolvidos devem ser notificados de que a empresa está apurando indícios de irregularidade através de uma comissão de sindicância ou auditoria e que dará notícias na data de “tantodetanto” da conclusão desta investigação.

Agindo assim, manteremos vivo o imediatismo, afastando o risco de ser considerado o perdão tácito.

 


Tags:

ato de improbidade

auditoria

empregado

empregador

imediatismo

Justa causa

perdão

perdão tácito

poder diretivo

princípio do imediatismo

sindicância


Similar posts

Nós aqui debatemos ideias, não respondemos consultas!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

WP-SpamFree by Pole Position Marketing