Pode ser controlado o tempo gasto no banheiro?

Escrito por Marcos Alencar   // julho 9, 2010   // 4 Comentários

Pode o empregador controlar o tempo gasto no banheiro?

Prezados Leitores,

Algumas empresas visando melhor disciplinar as idas e vindas ao banheiro, passam a controlar o tempo gasto pelos e inclusive o tempo utilizado durante as necessidades fisiológicas. Há empregador que fixa em 5 minutos o tempo de permanência dentro do banheiro. Esse procedimento pode ser considerado atentatório a dignidade da pessoa humana do trabalhador e deixar a empresa na linha de risco de pagar uma futura indenização por danos morais. É verdade, que o TST (A 7a Turma do Tribunal Superior do Trabalho) julgou recentemente um caso dessa natureza, e no julgamento entendeu que a empresa estava certa, que ela poderia sim organizar o horário de ida ao banheiro pelos seus empregados, isso porque esta empresa concedia dois intervalos diários, um  de 15 minutos e outro de 5 minutos, para que os empregados fossem ao banheiro.  Mesmo assim, recomendo que o empregador busque uma forma de controle indireto, sem proibição, dialogando com o empregado para que ele use a ida ao banheiro de forma racional. O melhor caminho é a conscientização, pois apesar dessa decisão favorável do TST, vejo o controle rigoroso como algo arriscado.

DECISÃO A FAVOR:

14/01/2010
Limitação de idas ao banheiro não caracteriza dano moral

 

Um operador de telemarketing da Teleperformance CRM S.A, que alegava ter sido impedido de utilizar o toalete durante a jornada de trabalho, não obteve, na Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho, reforma da decisão regional que lhe negou o direito a indenização por danos morais. A relatora do recurso de revista, juíza convocada Maria Doralice Novaes, ressaltou que não ficou demonstrado que o trabalhador foi impedido de ir ao banheiro ou que tenha sofrido algum tipo de constrangimento.

O ex-empregado alegava que o fato de ter sido impedido de utilizar o toalete o teria constrangido perante os colegas. Na instância inicial, ficou demonstrado que os operadores necessitavam de autorização para utilizar o banheiro, havendo previsão de advertência quanto à demora para o retorno ao posto de trabalho. No entanto, não ficou comprovado o impedimento alegado pelo funcionário, que teve seu pedido de indenização indeferido.

Para tentar modificar o resultado, o trabalhador recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO), que manteve a sentença. O Regional salientou que, no caso, deve-se observar a natureza das atividades desenvolvidas pela empresa, em que os postos de atendimento não podem ficar abandonados, pois a empresa é fiscalizada pela Anatel quanto à qualidade dos serviços.

Ao julgar o recurso do ex-empregado no TST, a juíza convocada Maria Doralice observou que em momento algum ficou comprovada a existência de “controle das necessidades fisiológicas” do empregado, mas sim de uma limitação das saídas de todos os empregados de seus postos de trabalho a fim de impedir que um grande número de empregados saísse ao mesmo tempo. Sem ter verificado qualquer violação de lei no acórdão do TRT da 18ª Região e nem divergência jurisprudencial que possibilitassem a apreciação do mérito, a Sétima Turma não conheceu do recurso de revista. (RR-136900-90.2007.5.18.0010/Numeração antiga: RR – 1369/2007-010-18-00.3)

DECISÃO CONTRÁRIA:

05/02/2010
Afronta à dignidade do empregado gera dano moral

 

A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho acolheu, unanimemente, o recurso de uma empregada que só podia ir ao toalete mediante autorização da empresa. Tal prática, confirmada pelo Tribunal Regional da 18.ª Região (Goiás), resultou, no TST, em condenação da empregadora ao pagamento de indenização por danos morais, no valor de dez mil reais.

Segundo o Regional, a empregadora – Teleperformance CRM S.A. – limitava a uma vez a ida dos trabalhadores aos toaletes. Também o tempo destinado às necessidades fisiológicas era estabelecido: cinco minutos. Além dessas determinações, outras idas ao banheiro precisavam ser justificadas.
Embora reconheça a necessidade de a empresa estabelecer normas de segurança, a empregada, em suas razões, reclama o direito de movimentar-se livremente no ambiente de trabalho, e, por isso, contestou a imposição do controle, a seu ver, ilegal, constrangedor, vexatório e humilhante.

A relatora do processo na Terceira Turma, ministra Rosa Maria Weber, ressalta, da conduta do empregador, o descumprimento dos deveres decorrentes da boa-fé e consequente desatenção com o dever de zelar pela segurança e bem-estar do empregado. O fato de a empresa, em conduta abusiva de poder, estender a todos os seus trabalhadores o cumprimento de normas de controle, simulando o respeito ao princípio da igualdade, “não descaracteriza a violação dos direitos de personalidade, à honra, à imagem, à própria dignidade da pessoa humana, constitucionalmente consagrada (art. 1.º, III)”, salienta a ministra Rosa Weber.

A relatora alegou violação dos artigos 1.º, III, da Constituição da República e 2.º da CLT e determinou como acréscimo à condenação da empregadora o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). (RR-167500-63.2008.5.18.0009 – Fase Atual)

Sds MarcosAlencar


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4 COMENTÁRIOSS

  1. By Guilherme, 13 de junho de 2010

    Não tenho a menor dúvida de que a conduta de controle por parte do empregador, nesse caso, configura humilhação e, consequentemente, ofensa à honra e dignidade do empregado. Embora possa existir no empregado a pretensão de esquivar-se do trabalho, em tais circunstâncias, essa conduta escapa da normalidade, o que se presume exista em todos os ambientes de trabalho. Como a justiça deve pautar-se pela normalidade, e não pelas exceções, acredito que é vedado ao empregador tal tipo de controle.

  2. By Bruno, 27 de junho de 2010

    Sou bacharel em Direito, e acadêmicodo curso de Psicologia em uma Universidade pública. Vejam a situação fática: Os alunos não são impedidos de sairem da sala para irem ao banheiro,porém são impedidos de retornar, caso abram a porta, dois professores (disciplinas diferentes) param de lecionar e solicitam enfaticamente que eles (alunos) se retirem, que voltem depois que aula terminar, para pegarem seu material. O caso foi levado ao conhecimento da coordenação de curso, cuja coordenadora também é professora e não estabeleceu a mesma norma draconiana, por entende-la desnecessária, contudo respalda a conduta adotada pelos membros do corpo docente, dizendo: “è claro que o professor pode impedir a entrada do aluno em sala de aula, se ele se retirou, mesmo que seja, para ir ao banheiro”. O caso foi então conduzido a Ouvidoria da Instituição de Ensino. Um dos professores parou com a prática instituida unilateralmente, sem qualquer previsão no regimento interno, retratando-se, e, passando a realizar a chamada logo no início de cada aula, as aulas são germinadas (por vezes 3 aulas de 50 minutos ininterruptas), já a outra professora que também instalou essa “norma de conduta” perpetua a prática. Estariámos diante do exércio árbitrário – Abuso de Autoridade (liberdade de locomoção, ir, vir e permanecer)? Observo a conduta do agente público como sendo PUNIÇÃO aplicada pelo exercício das necessidades fisiológicas do membro do corpo discente, fora do horário de intervalo. Já encontrei dois julgados que condenaram outras Instituição de Ensino, pelo fato dos alunos terem evacuado (defecado) e urinado, em decorrência da proibição de irem ao banheiro. No caso, os aluno são impedidos de retornar. Imagino, um trabalhador, impedido de retornar ao seu posto de trabalho porque foi ao banheiro.Obs. Não estamos falando em dias de prova, mas em dias de aulas regulares, cujos os alunos foram aprovados em vestibular.

  3. By Marcos, 30 de outubro de 2010

    Conheci escritórios de contabilidade que tem normas onde o empregado não pode se levantar da cadeira nem para beber água. Tem que ficar sentado lá até a hora de ir embora. Café, água ou outra coisa um copeira serve a mesa. Ir ao banheiro? tem que justificar depois.
    Absurdo. Em pleno século XXI!

  4. By Tania, 19 de janeiro de 2011

    Abusivo, tem em todo lugar, tanto por parte do empregador como por parte do empregado. Quando voce se depara com um trabalhador que vai ao banheiro 17 vezes por dia, é impossível voce tirar a razão do empregador.
    O que está faltando é critério e bom senso, de ambas as partes.

Nós aqui debatemos ideias, não respondemos consultas!

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