Editora Abril demite funcionário após twitter.
maio 12, 2010 // 1 ComentárioEditora Abril demite funcionário após mensagem no Twitter.
Comento o caso do empregado da Editora Abril, que trabalhava na revista National Geographic, que fez acusações contra uma reportagem da Veja, do mesmo grupo no Twitter. De várias fontes soube que o funcionário em questão postou as suas considerações pessoais sobre a postura do seu empregador e nao imaginava a repercussão em torno do caso e a perda do emprego.
Eu não tive acesso a carta de demissão e ao motivo da mesma, se por justa causa ou sem justa causa. Também não quero tecer considerações sobre a pessoa física do trabalhador (repórter fotográfico) e nem quanto a pessoa jurídica da Revista, da Editora, mas apenas analisar a questão sob a ótica do direito do trabalho: se o empregador pode mandar embora o empregado que faz considerações agressivas contra a sua pessoa (no caso, contra a pessoa juridica do empregador).
Para que o leitor entenda, o caso se resume a uma crítica à feita pelo empregado, um repórter fotográfico “F….M….., editor-assistente da revista National Geographic, que é da editora Abril. O empregado fez declarações pesadas contra a Revista, do tipo “Veja vomita mais ranço racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto?”, registrou o reporter (empregado) no Twitter. Disse ainda, ao que parece no mesmo dia, que “Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas”.
A grande pergunta é, o empregado pode ter essa liberdade de expressão contra o seu empregador? E, o empregador tem o direito de demitir o empregado que discorda dele, da postura dele, da linha editorial, no caso da Editora?
Na minha opinião, sem adentrar se as considerações do empregado são justas e moralmente corretas, o fato é que ele como empregado, sendo parte do time, sendo remunerado e provido pelo empregador não deveria jamais agredir da forma que fez. Se o empregador age de forma temerária ao ponto de fazer o empregado se sentir mal, cabe ao empregado, em tese (desprezando a necessidade de emprego que todos nós temos) de pedir as contas e buscar novo empregador que se adeque a conduta ética e moral que ele empregado defende.
Imagine um funcionário do Flamengo comemorando um gol do time adversário numa decisão de campeonato? É essa a análise que eu faço, não se pode admitir ter pessoas no time da empresa, corroborando contrariamente e acusando de práticas de delitos e de condutas inadequadas, dirigindo inclusive palavras grosseiras. Cabe ao empregador nesses casos, alegando a quebra do respeito, da confiança e até da subordinação funcional que rege a relação de emprego e o contrato de trabalho, aplicar o art.482 da CLT e demitir por justa causa.
Ressalto que a avaliação que estou fazendo, comentando, pelo que li na imprensa, na web, nos blogs, em alguns sites, está sendo técnica, uma opinião jurídico trabalhista sobre o caso. Não analiso aqui se o conteúdo da reportagem da Veja é tudo aquilo que o reporter intitulou, mas apenas se o ato dele é de insubordinação e suficiente para gerar a sua demissão, a perda do emprego, ao meu ver é, inclusive por justa causa, pois reputo a falta cometida como grave, contra os interesses do empregador o qual contrata empregados para lhe defender e não acusá-lo publicamente.
O tema e a material é mais do que polêmica, estou preparado para as críticas que estão por vir, mas desarmado e aberto sempre a novos pontos de vista e idéias.
Sds Marcos Alencar
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que coisa né… segundo o que fala o cronista, então o servidor público também não pode manifestar sua opinião contra o Estado.
Segundo consta no código de ética:
‘A Editora Abril está empenhada em contribuir para a difusão de informação, cultura e entretenimento para o progresso da educação, melhoria da qualidade de vida, o desenvolvimento da livre iniciativa e o fortalecimento das instituições democráticas.’
Me parece muito diverso da forma como a Abril atua, ao passo que é discutível não só ao que toca ao tipo da informação transmitida, mas também a quais interesses ela atende. Não se trata apenas de informação democratizada e mas sim de manipulação de informação, é disso que se trata. Desta forma, a Abril não está contribuindo para o fortalecimento das instituições democráticas, ao passo que atua de forma a dar voz a segmentos de acordo com certos interesses. Se ela tem um discurso que dá voz e VOTO a uma bancada ruralista de senadores e deputados fica evidente que há aí uma tendência a manipulação de informação de forma a manter o status quo, os indígenas são tratados como criminosos para que a opinião pública assimile-os desta forma.
Parece democrático, mas não é…
E outra, a internet é um lugar de livre expressão, a produção fora do ambiente de trabalho não deveria ser do interesse da empresa, a menos que seja feito em seu nome, ou levando o seu nome… Se no Blog do fulano estiver escrito “Sou fulano, da National Geographic” e tal…
Entendo isso como um abuso, o que eu falo e penso fora daqui não interfere no meu trabalho…
sei lá, não concordo com este cronista…