O Juiz simples.

Escrito por Marcos Alencar   // março 25, 2010   // 13 Comentários

Prezados Leitores,

Escrevo esse post não para falar mal dos Magistrados arrogantes ou dos que se acham imortais pela toga que carregam sobre os ombros, mas para valorar e destacar os “Juízes simples”. Sei que muitos terão a sua referência de “magistrado simples” os mais felizes quando recordarem de algum que se depararam em plena atuação, realmente exercendo o papel de SERVIDOR PÚBLICO.

A falta de simplicidade no ramo do direito é algo comum de se ver, em todas as esferas e patamares, advogados, procuradores, servidores, até os estagiários as vezes dão aula de prepotência e de arrogância. Abordo o tema dos Juízes, porque abaixo de DEUS são eles que julgam e decidem o destino de muitos.

Para que o Juiz tenha a visão apurada de cada problema que se apresenta na sua magnífica jornada diária de trabalho, deve exercer a simplicidade, a humildade, e sempre buscar servir as partes, aconselhando, orientando, exercitando o espírito conciliador, deixando transparecer que o julgamento deve ser a última via a ser seguida.

Na minha vivência aqui na Sexta Região, TRT de Pernambuco, existem ícones que merecem ser lembrados por tudo isso que realmente são quando estão togados na mesa de audiência, o Juiz do Trabalho Larry da 13 VT, o Juiz do Trabalho Amaury da 14 VT [creio na proximidade das Varas por simples coincidência] esses realmente são mestres quando se pensa em livre acesso das partes, do diálogo aberto, franco, aconselhador, que acalma os ânimos dos que ali comparecem para um confronto.

Temos que referendar o Magistrado já aposentado Juiz [que exerceu por longa data a cadeira de Ministro do TST] Dr. Márcio Rabelo, um gentleman, exemplo vivo de polidez e de trato fino com as partes. Na esfera cível daqui conheço pouco, mas tem um que é digno de medalha quando o assunto é acesso, lisura, humildade, o Juiz de Direito de uma das Varas Cíveis da Cidade do Cabo de Santo Agostinho, Pe, Rafael de Menezes, um jovem entusiasta e eterno professor das partes, dentre outros que agora não me recordo, enfim.

Dentre esses retrato [com suspeição] Luiz de Alencar Bezerra, meu Pai, já aposentado como Juiz do Trabalho de uma das Varas do interior do Estado de Pernambuco, Palmares, que exibia uma enorme placa na secretaria da Vara, na época Junta de Conciliação e Julgamento, que dizia “qualquer cidadão pode falar com o Juiz”.

Quem me conhece ou lê um pouco do que escrevo, sabe que não tenho a mínima vocação para ser bajulador de magistrados, ao contrário, sou um crítico ferrenho e acho o mais atuante perante a ouvidoria do TRT6, sempre registrando os reclamos e o que se pretende mudar, citei estes porque são – como disse – ícones, exemplos, para guiar os jovens magistrados que iniciam as suas carreiras e que muitas vezes ficam embebedados pelo poder da caneta, extasiados pela elegância da toga, e pegam a tal “juizite”.

Juizite nada mais é do que  uma doença vinculada ao pensamento de que o Juiz está acima de tudo e de todos, quando na verdade o Estado Juiz está ali para servir, para receber, entender, apreciar e aplicar a Lei nos casos em que for julgar os problemas dos cidadãos, nada mais do que isso.

É isso, fica aqui esse pessoal desabafo – abusando da paciência de vocês leitores – para semearmos uma Justiça mais dócil, mais humilde e cordata, que os Magistrados entendam de uma vez por todas que é dever do sacerdócio Juiz atender bem e ser gentil com todos, partes, servidores, advogados, etc.

Sds Marcos Alencar


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13 COMENTÁRIOSS

  1. By pablo souza, 1 de junho de 2009

    Concordo Marcos. Eu sou Policial militar e participo de audiências referentes as ocorrências que atendemos e sei o quanto é dificil lidar com os juizes arrogantes!!!!!
    Mas ainda bem que existem os humildes!!!!!!!!!!!

  2. By thais, 11 de julho de 2009

    meu nome é thais,eu sou estudante e gosto dessa profissão desde criança
    inda bem que tem juiz humilde e de bom carater,por que minha falava que
    os juiz de hoje quaze todos eram comprados.Eu antes acreditava que todos os juizes seguia a lei,mas agora depois que eu crescir sei a realidade de hoje.
    Mas a maioria faz o que é certo.

  3. By Luciana Raposo, 4 de agosto de 2009

    Muito bom artigo. Nós(advogados daqui do RJ) também vivenciamos os problemas narrados por você,ou seja, a falta de humildade de certos magistrados.
    Parabéns pelo blog.

  4. By Wagner Marsicano de Melo Rodrigues Martins, 5 de agosto de 2009

    Gostei muito do seu artigo. Dos indivíduos citados só conheci Luiz de Alencar Bezerra, quando este lecionava na UNICAP. Certa vez comentou que estava em uma vara trabalhista do interior de Pernambuco e um popular foi requerer o desquite da esposa. O requerente era humilde e sem instrução. Ao ser informado por funcionário da vara (na época junta)que estava em uma vara trabalhista, na qual não seria possível o desquite, aquele respondeu que queria “ouvir da boca do juiz e não de um funcionário”. Neste momento chegou o juiz togado, e deu razão ao popular, pois o direito de petição tem guarita constitucional, não cabendo ao funcionário decidir sobre o caso, mas ao magistrado. O popular ficou satisfeito quando teve o pedido indeferido pelo juiz.
    Gostaria que fosse dado um forte abraço no saudoso professor Luiz de Alencar Bezerra.

  5. By LUIZ DE ALENCAR BEZERRA, 6 de agosto de 2009

    Pois é, através de sua brilhante “pena” (como diriam os do meu tempo) somos chamados a valorizar a figura do “juiz simples”, que, reconheço, não fui, mas tenho certeza que fiz a minha parte para sê-lo.
    Peço licença para agradecer a referência que a mim foi feita, a respeito do tema, pelo comentarista, Dr. Wagner Marsicano de Melo Rodrigues Martins, que pretendeu ser meu aluno, quando na verdade fomos “colegas” de estudo desse belo ramo do Direito, na UNICAP. É um testemunho que nos enaltece.
    Abraço do,
    Luiz de Alencar Bezerra.

  6. By MARCEL, 8 de agosto de 2009

    Todos nós queremos um Juiz Simples. Mas e o brasileiro? Ele é simples? Não é. Ele quer o atendimento de seus interesses quando busca o Poder Judiciário. Presenciei uma situação de uma colega na Justiça do Trabalho, que só faltou destratar de viva voz o Juiz. Outro magistrado, que era até então muito calmo, me confidenciou que, após redemocratização do país, passaram a confundir defesa de direitos com o acolhimento de direitos pelo Poder Judiciário. Ele então, passou a bater o martelo com firmeza, condenando advogados e partes por má-fé. Teve resultado profilático, porque tanto as partes como advogados já sabiam que, se não se comportassem, seriam punidos.

  7. By Taciana Lins, 12 de outubro de 2009

    Que bom lembrar das aulas do Ilustríssimo Doutor Luiz de Alencar Bezerra…Lembro que não perdia nenhuma das aulas de prática jurídica, pois eram verdadeiras lições de vida. Hoje, após cinco anos de caminhada como advogada militante, já tendo ingressado no serviço público e prestando concurso para magistratura eu o terei sempre como um exemplo de atitude. Jamais esquecerei que esse juiz doou sangue a um pistoleiro contratado para matá-lo…Isso é uma lição pra toda vida. Suas aulas são inspiradoras e inesquecíveis!

  8. By Jorge Costa, 18 de fevereiro de 2010

    Apartir do momento que cada Juiz,promotor,senador,deputado,governador,prefeito,vereador tiverem à consciência de que o poder que eles tem em mãos são para usa-los em favor dos cidadões que é uma obrigação de generosidade para o engrandecimento de cada cidadão o qual venha à depender de um desses senhores (as) citados.Ai sim à harmonia,honestidade,simplicidade,respeito e confiança iriam nos tornar todos “IRMÃOS”

  9. By Letícia Alves, 26 de março de 2010

    Essas palavras sabiamente proferidas evidenciam a grande necessidade de se ter na sociedade juízes simples, que ao exercerem sua função, não se afastem da sociedade, ao contrário, se aproximem dela e de seus problemas cada vez mais, buscando a pacificação.

  10. By thays mayara, 12 de julho de 2010

    Oi!
    Sou estudante.Desde criança os professores me perguntavam oque eu queria ser e eu sempre respondia:Juiza
    Eu acho que levo jeito para isso.Só não concordo com certos juizes que são comprados,acho isso uma falsidade com si mesmo.Quer ganha dinheiro,sim mais fazendo as coisas certas e comforme são.Não jogando sujo.Até porque se esta nessa profissão não é para joga e sim para trabalhar sério.
    Marcos concordo com tudo oque vc falou.
    Se Deus quizer vou me tornar uma JUIZA >>>Gentil,simpática com todos…E fazer um trabalho bonito e limpo.

  11. By JOSÉ HAMILTON LINS, 29 de novembro de 2010

    Carissimo Dr Marcos Alencar,

    Vi o seu artigo pretigiando a simplicidade da magistratura, onde tece comentários acerca do sempre estimado Dr Alencar, seu pai.
    Convivi com o Dr Alencar na então Junta de Conciliação e Julgamento dos Palmares, na década de 1980, eu no excicio da advocacia, e posso testemunhar tanto a cultura, inteireza,ética, quanto a simplicidade do grande juiz que fora o Dr Alencar. Ninguém mais prático, afável, desburocratizado. Era amigo de todos sem fugir da sua ética judicante. Pontualidade britânica. Nunca atrasou audiência, muito menos sentenças.No dia aprazo ele mesmo saia entregando as cópias das decisões, e olhe que tudo era feito à maquina de datilografia! Tenho muitas saudades daqueles tempos, da convivência com o Dr Alencar, sem demérito para tantos outros magistrados que por aqui passaram.
    Quanto a você, Dr Marcos, o vi ainda estudante, bem jovem, quando visitava a Junta. Hoje, tenho conhecimento do seu grande desempenho profissional, seguindo certamente a saga do seu ilustre pai. Parabéns.
    Ao ensejo, daqui envio os meus cumprimentos tanto a você quanto ao Dr Alencar e aproveito para rememorar a degustação de saboroso bolo que o mesmo trazia. Era o nosso repasto ‘judiciário’.
    Saudações,
    José Hamilton Lins-Advogado em Palmares-PE.

  12. By Marcos Alencar, 30 de novembro de 2010

    Obrigado pelas carinhosas palavras, mas esqueca o Dr! No momento que recebi seu email, eu estava dando uma entrevista aqui em Recife para uma Revista, falava da minha infancia e das idas para Palmares! Acredite. Ja pensou, que coincidencia ou sinal divino!

  13. By Francianne Parente, 19 de outubro de 2011

    Prezado Marcos Alencar, sou estudante do curso de Direito por uma Universidade pública,e ler a sua postagem ajudou-me muito uma vez que preciso redigir um texto sobre a falta de humildade no mundo jurídico. Concordo com o que foi discutido.Dessa forma, guardarei suas palavras,as quais me deram motivação para continuar trilhando esse caminho,por toda a minha vida acadêmica e profissional.Lembrarei-me desses ícones supracitados e tomar-os-ei como exemplo na luta a favor da justiça.Atenciosamente.

Nós aqui debatemos ideias, não respondemos consultas!

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